por Paulo Lima
Trip #270

”Sabemos muito sobre algoritmos, inteligências artificiais e realidades virtuais, mas desconhecemos nosso próprio umbigo”

Sabemos muito sobre algoritmos, inteligências artificiais e realidades virtuais, mas desconhecemos nosso próprio umbigo. Esse buraco-cicatriz bem no meio da gente até hoje orbita entre o abandono e o incômodo, passando pelo estranhamente erógeno para alguns e o altamente aflitivo para outros. Culturas mais ancestrais apontam para esse orifício costurado como sendo um ponto absolutamente estratégico no complexo viário por onde transitaria nossa energia vital. Há até quem tape o buraco com esparadrapo para evitar que por ali penetrem vibrações negativas. É interessante pensar também que essas costuras em nossos abdomens são registros visíveis de nossa origem, atrelada a outro ser, que por sua vez carrega a sua marca ligada a seus ancestrais, sugerindo uma linha contínua que, numa hipótese absurda e imaginária, se nunca fosse cortada, nos levaria diretamente aos símios de onde viemos – mas, ainda mais importante, deixaria muito clara a noção de que somos todos apenas um.

Num mundo cada vez mais do avesso, onde ao mesmo tempo em que projetamos nas possíveis conversas entre refrigeradores e fornos de micro-ondas conectados em rede um caminho para a evolução humana, malucos fundamentalistas aceleram SUVs ou disparam armas automáticas para cima de turistas, talvez seja importante nos voltarmos para nós mesmos tentando desvendar quem somos de fato e o que dizem e para que servem nossos próprios umbigos.

Créditos

Imagem principal: Pablo Saborido

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