PAU NA MESA
Com exceção dos Estados Unidos, o Brasil é o único país a produzir hoje com boa qualidade, a linha completa de equipamentos para skate
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Faça uma pesquisa entre garotos pré-adolescentes sobre o esporte preferido e (com certeza) o skate estará entre os primeiros colocados. Se ampliar a faixa etária do censo, e mesmo incluir o sexo feminino, ainda assim o skate aparecerá bem na fita – acrescente a esse quadro favorável o fato de termos hoje dois campeões mundiais nas duas principais categorias – o vertical e o street – além de uma farta ocupação dos melhores postos dos rankings por brasileiros.
Mais: à exceção dos Estados Unidos, o Brasil é o único país a produzir, hoje com boa qualidade, a linha completa de equipamentos para o esporte. Enfim, os atletas e a indústria nacional são reconhecidos mundialmente como a segunda potência no esporte.
Sendo assim, qual o problema? A resposta: pouca gente sabe disso porque o esporte é pouco valorizado pela míope mídia, sendo pouco valorizado, os atletas vão buscar reconhecimento fora do país; e a estrutura organizacional, que apesar de três décadas de experiência, ainda é muito frágil.
Para muitos, pode soar estranho colocar o assunto desta forma justamente depois de uma das melhores exposições que o esporte já obteve na TV brasileira. Foram 40 minutos ao vivo na Globo entre 11 horas e meio-dia do último domingo. A recomendação da emissora foi fazer a bateria final num ritmo tranqüilo, já que a audiência vinha subindo, atingindo o pico do horário, na paupérrima programação da TV aos domingos.
O skate sozinho ocupou praticamente o mesmo tempo que os outros quatro esportes que compunham o ‘Radical Games’; bike, in-line, escalada esportiva e bungee jumping. Não bastasse, outra edição, ainda maior, compôs a grade de programação do Sportv à noite.
No final do domingo, mais de três horas haviam sido ocupadas pelo evento, em especial pelo skate, no maior sistema de televisão do país. E quem lucrou com isso?
Os patrocinadores se deram bem já que, com o sucesso do programa, tiveram mais tempo no ar do que o mínimo garantido na compra. A Globo ocupou bem a programação e gerou receita. Os organizadores/ produtores além da remuneração, melhoraram seus currículos para capitalizar em futuros eventos. Melhor para eles, que fizeram por merecer.
Mas e os atletas? Os protagonistas do espetáculo que a cada decolada do coping arriscavam o pescoço? Bem, para eles foi destinado R$ 10 mil para ser dividido entre os 10 melhores. Ao campeão, Cristiano Matheus, um chequinho de R$ 3 mil. É muito pouco para quem veio dos Estados Unidos especialmente para a prova e, não tivesse um bom patrocínio, estaria contabilizando o prejuízo.
O mesmo raciocínio usado para os organizadores, diriam alguns, pode ser considerado para os atletas. Eles também melhoraram seus currículos para amanhã estar batendo na porta de um potencial patrocinador. Outros diriam que é importante plantar agora para colher no futuro.
Acontece que o skate não é mais uma promessa. É realidade. O esporte vive a síndrome da inconstância, característica marcante da maior parte de seus praticantes, os adolescentes. Mas depois de 30 anos de vida no país, uma indústria estabelecida e dois campeões mundiais, estava mais que na hora dos responsáveis pela organização do esporte pôr o pau na mesa. A bem intencionada Confederação Brasileira de Skate deveria se preocupar menos com a tradicional distribuição de adesivos que os atletas costumavam promover nos eventos, e mais com os interesses dos competidores, os prêmios, a viabilização de um calendário de provas, até agora não definido para 2001.
NOTAS
WQS
Continua hoje em Kirra, Gold Coast, Austrália, as triagens do Quiksilver Pro, evento cinco estrelas ‘prime’ que irá distribuir 2200 pontos. Quase 300 surfistas – 25 brasileiros – estão na prova que vai até dia 18. Kelly Slater, motivado pelo aumento da premiação e o novo calendário, finalmente fala em voltar às competições, e é presença certa na etapa.
MONTANHISMO
Atualmente todo os grupos que desafiam o Everest devem deixar US$ 4 mil de garantia que o lixo por eles produzido será trazido de volta. No último dia 27 a Associação do Nepal divulgou que a exigência será estendida aos 151 picos do país, e que vai ativar uma séria limpeza na área, pagando US$ 13,50 por quilo recolhido.
CORRIDA DE AVENTURA
Este fim-de-semana, no Parque Estadual Carlos Botelho, São Paulo, acontece a primeira etapa do Circuito Brasileiro, com 8 etapas previstas e 3 confirmadas, terminando em outubro com a EMA, Expedição Mata Atlântica.
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