Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Depois desta semana, o surf feminino jamais será o mesmo. Isso graças à pequenina e determinada peruana Sofia Mulanovich, 21, que escreveu seu nome como a primeira sul-americana a conquistar o Mundial. Antes dela o título havia cruzado a latitude zero rumo ao sul uma única vez ? excluindo-se é claro os saxões australianos ?, há 27 anos, com o sul-africano Shaun Thompson, segundo campeão mundial da história do surf profissional. A vitória foi sacramentada em águas havaianas durante o Roxy Pro. Na final, Sofia surfava contra a brasileira Tita Tavares, a veterana e campeoníssima Layne Beachley e Chelsea Georgeson. Precisava apenas de um terceiro lugar para garantir o caneco por antecedência. Ficou em segundo e ali mesmo, no outside, foi cumprimentada por Beachley, seis vezes campeã mundial. O site da revista Surfing escreveu em sua edição desta semana que o surf feminino entra, pelos pés de Sofia, numa nova era: ondas maiores, premiação maior, manobras maiores. E muito disso deve-se à peruana, que, logo em sua primeira temporada no Tour, vem revolucionando a forma como mulheres surfam. Dona de um estilo agressivo, Sofia é conhecida por executar perfeitos e improváveis cut-backs. E também por ser a atleta que, antes da hora de entrar na água para competir, entra para surfar sozinha, tentando aproveitar o máximo possível. Ela acredita que, fazendo assim, fica melhor preparada. Quando não está duelando no circuito e não pode surfar, gasta horas assistindo a fitas de surfe para tentar aprimorar seu estilo. Analisa as manobras de seus atletas prediletos, como Slater, Irons, Beachley e Rochelle Ballard, com quem, aliás, disputou onda a onda a coroa deste ano. Tanta obsessão só encontra um intervalo quando ela está em sua casa, em Lima, cercada pela família. Lá, consegue passar algumas horas em seu quarto ouvindo Bob Marley, The Doors e, claro, Dido. ‘Ela diz que conquistou o título porque teve sorte’, falou à imprensa depois da final Layne Beachley. ‘Mas não é nada disso. Ela tem graça, estilo, determinação e um talento incrível. Sofia veio para ficar e brilhar. E, além disso, é a pessoa mais humilde que conheci.’ O elogio, vindo de Beachley, surfista de 32 anos que está eternizada em um poster na parede do quarto de Sofia (colocado quando ela nem sabia que viraria surfista profissional) deixou a peruana emocionada. ‘Eu fiz isso pelo Peru e pela América do Sul. Para que todos acreditem que podemos chegar lá’, disse Sofia ainda na praia, depois de ser coroada. No Tour feminino é sabido que as atletas de ponta não gostam de cair numa bateria com brasileiras. Elas costumam dar muito trabalho, por isso era improvável que quando a coroa finalmente cruzasse o Equador rumo ao sul ela não o fizesse na cabeça de uma de nossas meninas e sim na da única peruana que participou do WCT na história da competição. Tita Tavares e Jacqueline Silva, que, faltando uma etapa, ocupam o quinto e sexto lugares respectivamente, tiveram chances de brigar pelo título este ano e, muito jovens, ainda podem chegar lá. Silvana Lima é outra aposta para breve. Depois de Sofia, a questão não é mais se o título um dia virá para o Brasil, mas sim quando ele virá. O futuro do surf profissional feminino está ao sul do Equador. NOTAS TRIPLE CROWN ? HAVAÍ Tricampeão da coroa havaiana, Sunny Garcia saiu na frente vencendo em Haleiwa. O brasileiro Bernardo Pigmeu ficou em terceiro na final entre atletas do WCT. Amanhã começa o período de espera da última etapa do WQS, em Sunset, e Neco Padaratz segue líder. BRASILEIRO DE SKATE A decisão do circuito de street começa amanhã em Novo Hamburgo, RS, com cinco atletas embalados na disputa do título e de um Peugeot 206. SNOWBOARD Os brasileiros Isabel Clark e Felipe Motta aparecem como líderes do ranking FIS Sul-Americano. Clark em todas as categorias, Motta no boardercross.
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