por Fernando Costa Netto

O repórter especial Fernando Costa Netto entrevista líder de um movimento extremista palestino, responsável por nove dos dez ataques suicidas contra alvos israelenses.

Hoje (24/05) eu encontrei um dos líderes do movimento extremista Hamas, o grupo responsável por 9 entre 10 ataques suicidas, entre outras ações, que acontecem contra alvos israelenses. Estava negociando esta entrevista há alguns dias e ontem pela manhã o meu motorista Yousef, que estava em contato com o pessoal em Ramallah, me deu a notícia de que um dos cabeças da organização tinha concordado em falar com a TRIP. Eles iriam ligar pela manhã dizendo onde nós iríamos encontrá-lo em 30 minutos lá em Ramallah, que fica a meia hora aqui de Jerusalém. Eu acordei bem cedo, entrei no carro do Yousef e a gente seguiu para Ramalah. Lá pelo meio do caminho, a gente percebeu que alguém tinha tentado ligar no celular, mas a ligação não tinha virado. Ligamos para o número que estava gravado na tela do celular e era justamente o nosso contato passando o horário e local do encontro. A entrevista seria numa mesquita da cidade. Chegamos e tocamos direto para lá. Fomos recebidos por uma pessoa, aguardamos alguns minutos e logo autorizaram que a gente passasse a uma pequena sala onde um homem de cabelos e barbas negras, óculos escuros, vestindo roupas ocidentais aguardava sentado atrás de uma mesa, acompanhado por três seguranças. Seu nome, xeque Hasan Yosef, a principal liderança do Hamas na Cisjordânia, o segundo homem da organização em toda a Palestina. Durante cerca de meia hora conversamos sobre os contatos do Hamas na América do Sul, os ataques suicidas e a preparação desses fanáticos que dão a vida pela causa, sobre a política do presidente Arafat e o medo da morrer a qualquer instante. Este foi sem dúvida o principal encontro que eu tive aqui na Palestina. O Hamas faz oposição à política do Fatah, partido do governo, e exige que Israel devolva incondicionalmente os territórios ocupados para parar com as explosões que aterrorizam a população de Israel. No final da conversa, que foi bastante tensa por sinal, o xeque autorizou que eu fizesse uma foto. Esta talvez seja a primeira vez que um líder do Hamas tenha falado a um repórter brasileiro. A entrevista completa logo logo será publicada na revista TRIP.Shalom, SalamaleikunFernando Costa Netto, com o apoio da Lufthansa, direto da Palestina para o site da revista TRIP.Fale com ele: fcnetto@uol.com.brMais boletins: Boletim I: Check in - 18/05Boletim II: Paz - a perder vista - 19/05Boletim III: De gaiato no escritório de Arafat - 21/05Boletim IV: Nosso repórter quase apanha - 22/05

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