por Fernando Costa Netto

Nosso repórter especial, Fernando Costa Netto, presencia a hostilidade na região, que ainda está longe de ter fim

PAZ - A PERDER DE VISTAHoje é o dia do Shabat. Enquanto as portas do comércio dos judeus estão fechadas e eles oram no Western Wall, o Muro das Lamentações, os árabes conduzem a vida normalmente. Ou quase. Na roda de palestinos aqui em Jerusalém, a conversa é monotemática: todos discutem sobre os ataques do exército israelense a Gaza e a Cisjordânia, represália ao atentado suicida a um shopping de Tel Aviv na semana passada que matou 6 pessoas. O árabe que levava a bomba amarrada ao corpo tinha 21 anos de idade. Quando a I Guerra Mundial terminou, os ingleses passaram a dominar a região da Palestina, ao mesmo tempo em que o movimento sionista ganhava força no mundo. Com os conflitos entre árabes, judeus e ingleses, um documento da ONU foi criado para garantir a criação do Estado judeu marcada para 1948, data também acertada para a retirada dos ingleses da região da palestina. Pelo documento, os judeus, que eram minoria, teriam garantido a maioria do território. Os árabes da região não concordaram com o proposto e iniciaram uma guerra contra a criação do estado de Israel. Nessa guerra com a ajuda dos americanos, os judeus expulsaram 700 mil palestinos da região e tomaram conta de grande parte da terra, além da proposta inicialmente pelo tratado da ONU. A Faixa de Gaza fica com o Egito, a Cisjordânia vai para as mãos da Jordânia, que também domina o lado leste de Jerusalém. Os árabes expulsos, agora sem nação, se refugiam no Líbano, ao norte, em Gaza, ao sul, e na Jordânia, a leste.Em 1967, porém, na Guerra dos Seis Dias, árabes e israelenses voltam a brigar e o exército da Síria é aniquilado por Israel. Egito e Jordânia também perdem o controle de Gaza, da Cisjordânia e da parte leste de Jerusalém.Atualmente, cada lado definiu um ponto para iniciar a conversa pela paz na região, mas nem assim estão chegando num acordo. O processo pelo fim da hostilidade, pelo exemplo das pancadarias na semana passada em Tel Aviv, Gaza e Ramallah, ainda está a perder de vista.Shalom, Salamaleicum.F.O repórter Fernando Costa Netto viaja a convite da Lufthansa, Linhas Aéreas Alemãs.Fale com ele: fcnetto@uol.com.brMais boletins: Boletim I: Check in - 18/05Boletim III: De gaiato no escritório de Arafat - 21/05

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