Por Redação
em 21 de setembro de 2005

Quer o endereço da Gisele Bündchen em Nova York, da Angelina Jolie em Los Angeles? O ZabaSearch te dá. No ar há poucos meses, o site oferece dados sobre qualquer um que more nos EUA, na hora e de graça. Invasão de privacidade ou utilidade pública?
por Emilio Fraia ilustração Kadú Doy
Cuidado com o Zaba que o Zaba te pega, te pega daqui, te pega de lá. Se você mora nos Estados Unidos a chance é realmente grande que Zaba, codinome do site ZabaSearch (www.zabasearch.com), realmente te pegue. A empresa norte-americana desenvolveu um sistema de buscas que rastreia gratuitamente nomes, telefones e endereços de praticamente qualquer pessoa em território americano. Por taxas que variam de 20 a 35 dólares o internauta pode conseguir informações mais detalhadas, como histórico criminal, impostos e pedidos de falência. A ferramenta desperta curiosidade no início: é ótimo saber que ficou fácil encontrar o amigo que mudou para Los Angeles com quem você não fala há anos. Mas, logo, vem o terror: cobradores, o governo, aquele colega chato ou a ex-namorada psicótica podem, em poucos cliques, encontrar a sua toca.
Segundo Robert Zakari, presidente do ZabaSearch, seu sistema só se alimenta de registros públicos e informações coletadas do governo e que se tornam públicas quando alguém adquire uma casa nova, vai ao correio mudar de endereço ou faz compras on-line. Os fundadores do ZabaSearch, tema de reportagem recente da revista Wired, rebatem as acusações de invasão de privacidade e defendem seu rebento com a bandeira ?estamos democratizando informação?. ?As pessoas que descobriram isso agora podem achar chocante, mas esses dados já estão na internet há anos. É apenas questão de quem tem acesso a eles, queremos deixá-los ao alcance de todos?, diz Zakari.
Uma rápida busca feita pela redação da Trip nos levou a endereços (e às vezes telefones) de sujeitos como Sonia Braga (ligamos e ela não estava) e Senor ?Silvio Santos? Abravanel (ambos com suas casas na Flórida), estrelas como Angelina Jolie e Gisele Bündchen, chefões como Al Pacino e Robert De Niro (na casa deste uma secretária eletrônica desconversou) e escritores como Paul Auster ou o extra-recluso Thomas Pynchon. Levou também a alguns dados errados e obsoletos. Zakari defende seu Big Brother: ?O ZabaSearch não produz erros. Ele só disponibiliza dados públicos dos últimos dez anos?. Zaba confirma a tese de que, hoje, nossa vida privada é cada vez mais pública. E não há pra onde correr que Zaba te pega. Te pega daqui, te pega de lá.
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