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O SURFE É MESMO DIFERENTE

O mundo dos esportes seguiu seu caminho após os atentados. Já a ASP decidiu pelo cancelamento da perna européia do WCT

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Na semana seguinte aos atentados a Nova York, a liga de beiseball norte-americana lotava estádios, a de futebol americano promovia manifestações patrióticas, a Fórmula Indy era transmitida ao vivo para todo planeta, a ATP das estrelas Andre Agassi e Pete Sampras confirmava o calendário. Eventos em solo continental americano, com concentração de público e visibilidade, notadamente atrativos para lunáticos terroristas. Mas o mundo dos esportes seguiu seu caminho.
A ASP (Association of Surfing Professional) após a tragédia tomou a coerente decisão de retardar o início da perna européia do WCT em uma semana. A poeira ainda não havia baixado em solo americano e, como 14 cidadãos do país disputam o Tour Mundial, a prova em Figueira da Foz, Portugal, e as duas seguintes, o Quiksilver Pro, evento móvel na França, e o Billabong Pro – em Mundaka, Espanha – em respeito a eles e à segurança, foram adiados.
Dois dias depois, no entanto, o órgão definiu o cancelamento das provas. Segundo Teco Padaratz, um dos representantes dos surfistas na ASP, eles deixaram a decisão para os surfistas americanos. Questionado sobre o surfe ser talvez a única exceção de continuidade de calendário, disse que isso evidenciava que o grupo pensa como uma família e não só pelos interesses econômicos, que a estrutura pequena, quando comparada a outros esportes, facilita a tomada de decisão, e que esta era a forma de eles contribuírem.
Sobre as conseqüências financeiras, João Lagos, organizador de eventos esportivos em Portugal – entre eles a Fórmula 1 e o Master de tênis -, de repente viu seu esforço e investimento perdidos na etapa portuguesa do WCT. Vai exigir uma justa indenização. Mais grave ainda, é claro, será para os surfistas. Qualquer atleta, por pior que fosse o desempenho na Europa, teria cerca de R$ 30 mil garantidos. E, num efeito cascata, as duas provas do WQS, a divisão de acesso, previstas para o Brasil, também foram por água abaixo. O argumento dos patrocinadores é que a previsível ausência de competidores estrangeiros, a instabilidade do dólar e promoção de um evento qualificatório para um WCT desestruturado embasaram a decisão.
Mas mais complicado do que lado o financeiro vai ser a definição do ranking. Curiosa e coincidentemente os norte-americanos estão, após quatro etapas realizadas, em situação privilegiada. Entre os cinco primeiros, quatro são dos EUA, inclusive o líder C. J. Hobgood, que afirmou querer competir na Europa.
Como estavam previstas oito provas no ano, se o circuito terminar assim, não vai haver campeão em 2001. Mas existe uma prova ainda não cancelada, a de Sunset, Havaí, EUA. Caso ela aconteça, pelas regras, que exigem mais de 50% de provas realizadas, poderão ser definidos o título e o ranking.
Para os australianos, com 18 atletas entre os 45 do Tour, a posição de Sasha Stocker é definitiva: ‘É ridículo para mim ir competir no Havaí, uma das maiores bases militares americanas. Lugar seguro é minha casa’. Para o Brasil, com 11 surfistas na elite, os cancelamentos comprometem um provável crescimento na temporada 2002.
Na próxima terça-feira na Austrália, a ASP, que tem pedido para os surfistas não se manifestarem, vai decidir o que vai ser do Tour. O mais provável é que venha uma decisão que contemporize, mantendo todos do ranking atual, havendo ou não etapa no Havaí, e que os nomes classificados pelo WQS sejam acrescentados, promovendo em 2002 uma temporada inchada. Enquanto isso Arábia Saudita e Irã disputarão partida pelas eliminatórias da Copa do Mundo de futebol.

NOTAS

OUTRA HISTÓRIA
Na abertura da Semana do Surf paulistano segunda-feira passada na Assembléia Legislativa do Estado, foi apresentado o pioneiro do surfe no Brasil. O Sr. Thomas Rittscher, 84, contesta a versão conhecida. A sua, será conhecida, com imagens, na próxima edição da revista Trip.

B.A.S.E. JUMP
As Petrona Towers com 452 metros, na Malásia, sediaram o primeiro mundial da modalidade. A prova realizada no mês passado reuniu 48 atletas de 16 países, que realizaram 650 saltos nos maiores prédios do mundo. Um tremendo salto ao fim da clandestinidade.

FALTA DE OPÇÃO
No lugar de uma prova de US$ 350 mil na França, uma de R$ 35 mil no Brasil. As mudanças no mundial de surfe vão contribuir para a participação dos melhores atletas do país no Super Trials, o ranking de acesso nacional.

PALAVRAS-CHAVE
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