Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Para a imensa maioria aos 16 anos de idade essa questão está entre as mais, se não a mais importante a ser respondida. Combinar talento com oportunidades de mercado, expectativa dos pais com fazer aquilo que gosta, compõem a equação. Para o inglês Aaron Hadlow a resposta veio deslizando, voando sobre uma prancha: ser campeão mundial de kitesurfe profissional. O título conquistado por antecipação foi ratificado na sexta e última etapa do circuito concluída no domingo na praia do Beach Park, Fortaleza, CE, que apresentou condições perfeitas. Mais uma vez Hadlow chegou à bateria decisiva, homem a homem, quando, relaxado com o título conquistado, foi superado pelo holandês Ruben Lenten, também de 16 anos. A decisão do título da etapa brasileira foi particularmente emocionante porque, além de confrontar dois grandes garotos e contar com ótimas condições de vento, Lenten vinha da repescagem, disputando na seqüência várias baterias, e teve que vencer Hadlow por duas vezes, já que o líder tem direito à revanche na final. A final adolescente caracteriza uma mudança que o esporte parece estar vivendo. Com apenas três anos de existência, o circuito da PKRA (Professional Kiteboard Riders Association) este ano se tornou bem mais agressivo, valorizando mais a pressão e a radicalidade das manobras do que a altura e o estilo dos vôos. Ficou menos plástico e passou a exigir mais força e técnica dos competidores. Como vai ficar no futuro é difícil prever. Como todo jovem, as mudanças fazem parte da existência. Concebido como uma mistura de surfe com windsurfe, o kite hoje está mais para o wakeboard, com toques de skate e snowboard. Dessa miscelânea, percebida dentro e fora da água, está resultando um esporte com personalidade própria e que atrai adeptos de todos os outros que lhe servem de inspiração. Talvez seja prematuro considerar essa tendência como uma mudança. Recentemente o Red Bull King of the Air reuniu em Maui, Havaí, a elite do esporte e fez grande sucesso valorizando o estilo clássico de praticar kite. O resultado no circuito feminino também colabora para essa incerteza. Mais uma vez a neozelandesa Cindy Mosey, 30, venceu o circuito. Invicta há três anos ela conquistou o tricampeonato preservando seu estilo clássico de velejar. Dois brasileiros, Joseph Carneiro e Bruna Kasyia, ficaram em quinto lugar na etapa. Eles, além de Guilherme Brandão e Carol Freitas, estão entre os principais atletas de kite no país, e o sucesso da etapa brasileira do mundial, realizada pela segunda vez, é um enorme incentivo. Para o país, especialmente para o Nordeste, é a oportunidade de explorar um novo e crescente filão para o turismo. Os europeus, nove entre os top 10 do ranking, são tradicionais viajantes pelo mundo, e os esportes costumam ter peso decisivo na escolha dos roteiros. NOTAS VAI ESTUDAR Adriano Mineirinho, 17, foi criticado ao voltar do Havaí para as provas escolares. Em janeiro tenta o bi no Mundial Júnior, faz matéria para a Surfing, volta para o Havaí, e tem muito tempo para pegar onda e ganhar campeonatos. MUNDIAL JÚNIOR A vitória em Camburi, SP, colocou Hizunome Bettero no time sul-americano que compete em janeiro na Austrália. Pablo Paulino, Diego Santos, Jorge Spanner, Amani Valentim e Mineirinho completam o grupo. EXTRA DISTANCE ? 800 KM Mais de 300 ciclistas, 23 na categoria solo, participam da prova que tem largada no sábado na marginal do Tietê (Penha), passa por cidades como Jacareí, Brotas, Sorocaba e volta para a capital, completando 809,6 km.
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