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O que eles querem dizer

Jornalista quebra códigos da crítica literária e traduz eufemismos que cercam os livros

O que os críticos querem dizer quando escrevem que um livro é

O que os críticos querem dizer quando escrevem que um livro é 'shakesperiano'? / Créditos: Reprodução


Por Luiz Filipe Tavares

em 28 de outubro de 2011

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Janice Harayda é uma jornalista e autora americana, editora-chefe do conhecido One Minute Book Reviews. No mercado editorial desde 1999, ela tem dois livros lançados e muita experiência escrevendo sobre literatura para grandes publicações dos Estados Unidos. Mesmo com muito conhecimento do jargão crítico, algumas expressões usadas em resenhas de livros sempre incomodaram a blogueira. Por isso, ela resolveu tomar o assunto em suas próprias mãos. 

Então ela foi para o Twitter e começou a perguntar para outros críticos, jornalistas, editores, consultores e autores o que é que as expressões e eufemismos da crítica queriam dizer de verdade. O resultado foram dois posts enormes (aqui e aqui) no One Minute Book Reviews com observações ácidas e certeiras. 

Aqui na Trip, nós traduzimos 20 desses comentários dos especialistas em um pequeno guia para entender melhor o que os críticos e assessores de imprensa realmente querem dizer quando escrevem que um livro é “acessível”, “sensual”, “luminoso” ou “épico”.

Veja a lista abaixo.

“Acessível”: não tem muitas palavras grandes – Mark Kohut, autor e consultor

“Aclamado”: vendeu pouco – Peter Ginna, editor, Bloomsbury Press

“Capta os tempos em que vivemos”: Capta os tempos em que vivíamos dois anos atrás – Mark Athitakis, crítico

“Bom para a sala de aula”: As crianças não vão ler a não ser que sejam obrigadas – Linda White, promotora, Wonder Communications

“Continua na orgulhosa tradição de J.R.R. Tolkien”: Esse livro tem anões – Jason Pinter, autor infanto-juvenil

“Épico”: muito longo – Sheila O’Flanagan, autora (Stand by Me)

“Literatura étnica” – Qualquer coisa escrita por pessoas não-brancas – Rich Villar, diretor executivo da Acentos

“Conto arenoso das ruas” – Autor negro da periferia – @DuchessCadbury, estudante de literatura

“Prosa lapidária” – Eu não sei o que metade dessas palavras significam –  Jennifer Weiner, autora (Then Came You) 

“Luminoso” ou “Lírico”: quase nada acontece – Peter Ginna, editor, Bloomsbury Press

“Autobiografia”: Não-ficção até que se prove o contrário – Larry Hughes, editor-chefe do The Free Press na Simon & Schuster

“Realmente emocionante”: O texto é tão ruim que vai te fazer chorar – Drew Goodman, jornalista

“Sensual”: Pornografia leve – Peter Ginna, editor, Bloomsbury Press

“Assombroso”: O personagem principal morre – Mark Athitakis, crítico

“Estreia promissora”: Tem muitas falhas, mas não é imperdoavelmente ruim – Mark Athitakis, crítico

“A voz de uma geração” – Instantaneamente datado – Mark Kohut, autor e consultor

“Um livro para o futuro” – Deixe para ler depois – Mark Kohut, autor e consultor

“Fantasmagórico” – Ficou na cabeceira da minha cama por vários meses enquanto eu lia outras coisas – Sara Eckel, jornalista do New York Times

“Shakespeariano” = Todo mundo morre no final – Mark Kohut, autor e consultor

“Hemingwayniano”: sentenças curtas. “Faulkneriano” = Sentenças longas. “Fitzgeraldesco”: Muito remorso, saudades e gente rica – Arthur Phillips, autor

(via Matei Por Menos)

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