O MUNDIAL DEFINITIVO
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Na edição da Revista Fluir que está nas bancas, duas matérias me chamaram a atenção. Na verdade um pequeno box, na matéria sobre Fiji, de autoria de Renan Rocha e uma coluna assinada por Ricardo Bocão.
Dois dos maiores nomes do surfe nacional, eles não chegam, em seus artigos, a ser conflitantes, mas estimularam a avaliação a seguir, contrapondo as duas opiniões.
Do alto de sua vasta experiência no Tour profissional, Renan vaticina: ‘Garanto que se nossas revelações ficarem no Brasil, merrecando na vala, vai demorar para termos um campeão mundial’. Sua posição está embasada no fraco desempenho dos novos nomes nas etapas com ondas grandes, e também no pequeno interesse dos novos competidores em treinar no exterior, nos picos mais casca-grossa.
Já Bocão, há mais de 30 anos destaque do surfe nacional e um dos maiores big riders brasileiros, faz saltar a carótida do pescoço para elogiar o desempenho brasileiro no ISA Games, o mundial por equipes, antigo mundial amador, disputado recentemente em Maracaípe, PE.
‘Me desculpe a prepotência, mas o Brasil aplicou um chocolate no resto do mundo. E se é verdade que preparamos este mundial para vencermos, até nisso fomos competentes, pois vencemos com folga, coisa que os outros países, nos outros anos não conseguiram’, destaca Bocão.
Fomos campeões mundiais no ISA Games por equipes, e individuais em seis das sete categorias. Só não vencemos na Junior, apesar de termos três entre os quatro finalistas. Merecidamente alcançamos o objetivo depois de quatro vice-campeonatos.
Fomos também campeões, individual e por equipes, no mundial de ondas grandes, erradicando o estigma de merrequeiros. Temos quatro títulos e três campeões (Teco foi bi) no WQS, o mundial de acesso e lideramos atualmente esse ranking tanto na categoria masculina quanto na feminina.
Apesar de tantos resultados expressivos, a posição assumida por Renan merece respeito. Competindo no WCT há seis anos, após cinco etapas na atual temporada ocupa a 19ª posição e é versátil bastante para ter em seu currículo bons resultados nas provas disputadas em ondas de dois a 10 pés.
Estamos bem nos extremos, mas no WQS era – o critério mudou este ano – possível se classificar ou mesmo chegar ao título surfando praticamente ‘em casa’. E no universo do big surfe vamos nos impondo no cenário internacional graças a atitude de alguns atletas atirados e competentes.
Entre esses dois pólos pode estar ficando um vazio que precisa ser ocupado. É nesse espaço que está o WCT, o principal ranking mundial, cada vez mais focado em realizar provas, em que haja ondas com qualidade e tamanho.
Cresce o risco, a emoção, o desempenho (dos atletas melhores preparados) e, portanto, o interesse pelo esporte. Esse é o cenário ideal e precisamos ocupá-lo, de preferência com o personagem principal.
NOTAS
Circuito Paulista
Continua a expectativa de espera por grandes ondas de qualidade na Porta do Sol, São Vicente, para a decisão do Bad Boy/Zip Net Super Trials até dia 31. As últimas frentes frias fizeram com que o mar subisse, mas sem a formação ideal.
Garoto Propaganda
Primeiro brasileiro a vencer a barreira do extremo nacionalismo norte-americano, Peterson Rosa é a estrela do anúncio da MCD de lá, publicado na mais recente edição da tradicional Surfing Magazine.
Finalmente
Após ficar cinco campeonatos(10 baterias) sem vitória, Neco Padaratz passa para o terceiro round no Califórnia Pro, sexta etapa do WCT. Competindo como convidado na mesma prova no ano passado, Neco foi campeão.
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