Em Pagode Russo, fotógrafo nos conduz a uma Moscou melancólica e cotidiana

Ekaterina é uma designer russa. Nasceu em Moscou, cresceu em Moscou, vive na Vila Madalena, em São Paulo. Em agosto de 1985, teria idade para ser a criança no centro da foto acima – a que, sentada sobre a cabeça de um adulto, segura três enormes balões coloridos. 

Iatã é um fotógrafo brasileiro. Nasceu em São Paulo, passou a juventude em Cuba. Visitou, em agosto de 1985, a cidade de Moscou. Não conheceu, à época, Ekaterina.

Ele tinha 20 e tantos anos e integrava, como militante político, a delegação de brasileiros convidados para o 12º Festival Mundial da Juventude (foto), um enorme evento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, talvez o último desse porte, feito para celebrar “a solidariedade anti-imperialista”. 

Iatã e Ekaterina levariam mais de duas décadas para se conhecer. Foi numa festa junina, já nos anos 2000, quando ela passava férias no Brasil. Casaram-se, tiveram um filho chamado Ivan, hoje com 5 anos.

Iatã Cannabrava já era então um fotógrafo conhecido. Havia feito exposições, publicara livros, organizara eventos de fotografi a, como o Festival Paraty em Foco. Nunca havia dado bola para as fotos que tirara em Moscou, no ameno verão de 1985. 

Há um par de anos, essas fotos chegaram casualmente às mãos da designer Ekaterina Kholmogorova. E foram por arte dela transformadas em livro. Pagode russo, que sai agora pelas editoras Estúdio Madalena e Terceiro Nome, é um livro de fotos pequeno, mas precioso. Mais do que isso. É uma “cápsula do tempo” – e um diálogo. Nas fotografi as feitas por Iatã, Ekaterina encontrou suas lembranças da infância. Juntos, antecipam memórias para o pequeno Ivan.

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