Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Uma esponja que vive dentro de um abacaxi no fundo do oceano Pacífico é hoje a única rival na TV do impagável Hommer Simpson. No Brasil, é também campeã de vendas em semáforos. TRIP foi atrás das origens do fenômeno e encontrou Tim Hill, um americano de 40 anos que escreve as histórias do desenho animado de maior audiência na programação da Nickelodeon. Exibido em português, francês, italiano, alemão, espanhol e russo, virou filme que estréia por aqui no fim do ano
por João Carlos Magalhães
Quantos anos você tem?
Dez anos. Essa é a idade mínima para se trabalhar com animação infantil.
Onde você mora?
Moro num abacaxi, na região de Los Angeles.
Você freqüentou a escola?
Estudei na UCLA de Berkeley, mas não me formei.
O que você fazia antes de começar a escrever?
Já fui garçom, trabalhei em fazenda, já ganhei um trocado levando cachorros pra passear e fui até diretor de cinema. Além disso, fui o 52° presidente dos Estados Unidos, apesar de muita gente não saber disso.
Você participou da criação do Bob Esponja?
Ajudei a desenvolvê-lo desde quando ele era criança. Na verdade, nunca fui ilustrador. Sou escritor. Comecei escrevendo comédia para teatro em Nova York. Então, passei a escrever para a Nickelodeon quando eles ainda eram uma emissora pequena.
Como nasceu a idéia de um desenho animado no fundo do mar?
A idéia surgiu da cabeça de Steve Hillenberg. Ele estudou biologia marinha e costumava dar aulas de fauna marinha pra criançada durante as férias de verão. Acho que a idéia do Bob Esponja estava na cabeça dele há muito tempo.
Você lê muito?
Leio mais do que a maioria das pessoas que conheço, embora ache que deveria ler mais. Mas meus autores preferidos na maioria estão mortos. Tolstoy, Dickens, Dante, Cervantes, Shakespeare.
E quanto aos desenhos animados? Você é fã de algum?
Acredite ou não, não vejo muito desenho animado e nem leio muitas histórias em quadrinhos. No geral, sou fã de uma boa história, não importa a forma que ela seja contada.
Como é o dia-a-dia dos seus companheiros storyboarders?
Eles ficam a maior parte do tempo sentados, comendo bobagem e vendo TV.
Onde exatamente você trabalha?
Divido meu tempo entre minha casa (onde eu fico a maior parte do tempo sentado, comendo bobagem e vendo TV) e o escritório, onde fico fugindo do trabalho. Também costumo encontrar os ilustradores numa sala onde ficam pendurados os storyboards. Discutimos as piadas, as histórias, os diálogos, os elementos temáticos e também onde vamos almoçar.
Quantas horas por dia vocês trabalham?
Normalmente, oito horas por dia. Isso quando não temos nada melhor pra fazer.
De onde saem as idéias para os roteiros?
Vêm de tudo o que é lugar. As idéias têm se tornado cada vez mais difíceis, visto que estamos na quarta temporada e muitas histórias já foram escritas. A maioria das idéias é baseada num personagem. O desejo e a obsessão de um personagem pode conduzir uma história inteira. Por exemplo, Sr. Siriguejo é reconhecidamente pão-duro. Se ele for pão-duro a ponto de não tomar medidas de precaução no restaurante, ele pode acabar sendo processado por um cliente. Esta idéia pode levar a um julgamento, com Bob Esponja sendo advogado de Sr. Siriguejo. Então, teríamos um episódio de tribunal, com Bob Esponja numa posição diferente e Sr. Siriguejo contando com ele para se safar.
Qual a inspiração mais comum?
As boas idéias surgem quando a gente menos espera. E aí a gente imagina: por que não pensei nisso antes?
Existe alguma idéia para algum episódio que não tenha ido ao ar?
Não. Sou muito econômico no que diz respeito a idéias recicladas. Se elas são rejeitadas, eu como mais bobagens e vejo mais TV.
Por que muitos adultos adoram o desenho?
Acho que é um desenho que tem apelo universal. A razão principal é provavelmente o fato de não nos preocuparmos em fazer um programa para crianças da maneira que todos fazem. Tentamos fazer alguma coisa da qual gostamos. Isso faz a gente rir e contar histórias que gostaríamos de contar.
Qual seria a opinião de Bob Ensponja sobre o governo de George W. Bush?
Acho que os dois não devam ser incluídos na mesma frase.
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