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O bonde da história

Ônibus 174 foca um dos episódios mais graves da violência no Brasil

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Rio de Janeiro, 27 de junho de 2000. O ônibus 174 levava passageiros da Gávea, zona sul, à Central do Brasil, quando um jovem armado o seqüestrou e manteve 11 reféns por mais de quatro horas no bairro do Jardim Botânico. O episódio terminou com a morte de uma refém, a professora Geísa Firmo Gonçalves, de 20 anos, por Sandro do Nascimento, 22, que também foi assassinado por asfixia pela polícia, já dentro do camburão. O episódio foi exaustivamente explorado pela imprensa, mas a pergunta essencial, que agora bate à porta de todos nós, ninguém respondeu: de quem é a culpa pela violência que toma conta do Brasil?


Dois anos depois, as imagens ressurgem no documentário Ônibus 174, dirigido por José Padilha, 35 (do premiado documentário Os Carvoeiros). ?A fidelidade e a cronologia do episódio foram mantidas. O longa começa com o seqüestro e a partir dele inserimos depoimentos?, explica o diretor. ?A preocupação não é apontar culpados nem soluções ? apesar de o Estado brasileiro ser o culpado ?, mas gerar discussão sobre o tema. Não podemos nos resumir ao seqüestro, mas avaliar o que motiva uma sociedade a agir dessa forma.?


Com orçamento de apenas R$ 600 mil, o documentário mostra os dois lados da questão: do depoimento do ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais Rodrigo Pimentel ? afastado da PM, entre outras coisas, por ter se colocado contra a ação policial no episódio ? ao relato de uma tia de Sandro. Ex-menino de rua, Sandro viu a mãe ser assassinada a facadas quando tinha 9 anos e mais tarde escapou de ser morto no massacre da Candelária. Com duas horas e dez minutos de duração, Ônibus 174 tira as câmeras das favelas e as aponta para as ruas cariocas, ao contrário do aclamado Cidade de Deus. O percurso que o ônibus fazia ainda existe, mas o número da linha mudou de 174 para 158.


(Moacyr Vieira Martins)

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