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Na contra-mão

Odeia sambas de enredo, confete e trio elétrico? Viaje para bem longe deste carnaval

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Playboys
inchadinhos puxando pit bulls pela coleira,
estradas esburacadas e entupidas
transformando viagens curtas em experiências
de auto-flagelo, furos na camada
de ozônio transformando sol em arma
mortífera, filas quilométricas nas padarias,
legiões de idiotas que leram nos jornais
nomes de praias descoladase pra
completar, mares sem ondas. Litoral norte de
SP, Floripa, Porto Seguro,
Búzios, Garopaba… TRIP enumera algumas
rotas de fuga para a contra-mão
do verão globeleza. Roteiros para evitar
brasileiros com sacolas da agência
de turismo.

Surfando nos mares de ADÃO

Uma
ilha ao sul da Índia, rodeada por praias
maravilhosas, com ondas garantidas,
florestas densas, ruínas de antigas
civilizações, templos religiosos e
60% da canela produzida no mundo inteiro.
Esta ilha exótica, de clima
tropical e comida apimentada é o Sri
Lanka, um lugar tão paradisíaco que
seus nativos acreditam ser a terra natal
de Adão e Eva. Arugam Bay, que
oferece as melhores ondas e nenhuma
facilidade para o turista ordinário
(infra-estrutura precária), está presente
em pouquíssimos currículos de
surfistas espalhados pelo globo. Existem
ainda montanhas a serem escaladas,
santuários budistas e é lá onde mora a
árvore mais velha do mundo, cultivada
há 2 200 anos. É bom ficar esperto para
evitar hepatite e malária, além
de fazer um estoque de bebidas antes da
primeira noite de cada lua cheia
pois é feriado na ilha e o álcool não é
vendido.

Transporte: gasta-se 2 000 dólares
para se chegar lá, via Nova Delhi.
Estadia: a diária nas melhores pensões com
café da manhã incluído não
passa de 10 dólares.

Dinamarca se soletra com L,
S e D

Se
você quiser reviver um clima anos
60, vá pegar um cinema
em Christiania, uma herança do
movimento hippie em pleno coração
de Copenhague, na Dinamarca. A cidade,
reconhecida como Estado Livre em
1989, era um antigo bairro militar que foi
invadido por um grupo de malucos
num domingo ensolarado de 1971. Eles
ocuparam o local e publicaram a seguinte
senha no jornal: Embarque no
ônibus número 8.
Segundo a história, choveu cabeludo
com mochila nas costas e um
back no bolso. Da desordem inicial emergiu
uma cidade de 22 hectares com
árvores, lago, cinemas, escolas,
espaço para música,
dança, literatura, artes
plásticas e teatro. Hoje os cerca
de dois mil habitantes de Christiania
vivem num espaço completamente
psicodélico. A Estátua da
Liberdade é de sucata e
as casas podem virar barcos e flutuar no
lago Dysse. Em Christiania não
faltam cafés, galerias e oficinas
comunitárias, além
de um galpão imenso e grafitado, o
Gra Hal, que já foi palco
de shows de dois Bobs – Marley e Dylan.

Estadia: o único inconveniente
é que Christiania não
tem hotéis. É preciso ficar
na casa de alguém ou
se hospedar em Copenhague. Transporte: a
passagem aérea para a
Dinamarca custa US$ 1750.

À luz de JAH

Difícil
alguém nunca ter ouvido a
exótica palavra Zanzibar antes.
O trocadilho óbvio rendeu o batismo
de centenas de bares espalhados
pelo mundo. Mas Zanzibar é muito mais
que um local para se encher
a cara: é uma ilha mágica nas
águas do Índico
e às margens da África
oriental. O barato é dar um
rolê sem destino no labirinto natural
de Stone Town, centro histórico
da cidade tombado pela Unesco e
absolutamente chapante. Rastas e muçulmanos
caminhando lado a lado é cena
corriqueira nas vielas dali. E para
quem procura um descanso, recomenda-se
qualquer praia da ilha. O mar é
azul turqueza, a areia é branco-neve,
o astral é altíssimo
e tudo isso por um punhado de
dólares. Pa-ra-í-so! A ilha
tem sido ponto de encontro de jovens
europeus que usam e abusam do lugar.
Podem ser vistos nos restaurantes, nos bares
com Jazz ao vivo, nas Luaus
na praia, etc. Sempre com um sorrisão
estampado na cara.

Transporte: A Air Tanzânia tem
passagens por 2295 dólares
do Brasil. Mas uma boa opção
é incluir Zanzibar no
roteiro de sua viagem a Europa. Existem
vôos de Roma e Paris por cerca
de 350 dólares.

Estadia: Alugar um quarto em Stone
Town sai em média 10 dólares.
Já na praia, uma cabana na areia
cai pra 5 dólares.

Alimentação: Não
se gasta mais de 20 dólares
com café da manhã
almoço e jantar.

Arco íris do
DRAGÃO

O Butão, ou Terra do Dragão
Trovejante, é um país
fora do nosso tempo e espaço. Fica
escondido no Himalaia entre
a China e a Índia. Lá a
televisão é probida,
o governo está nas mãos de
uma monarquia teocrática
(os Dragões ou Druks) e os vales,
cercados por picos de neve eterna,
são habitados por tigres,
faisões e bisontes. A língua
local é o dzongká e as
vestimentas típicas parecem
quimonos ultra coloridos, como quase tudo
no país. E não
é a toa. Segundo os ensinamentos da
seita Drukpa Kagyupa, religião
predominante, a visualização
das cores é parte integral
da meditação e leva o
indivíduo a atingir sua meta
de iluminação. Prova disso
é a arquitetura dos Dzongs,
fortalezas/monastérios em forma de
castelo, e da cidade de Timfu,
onde estão o Palácio Real e
o Vale de Timfu. Mas um dos
melhores roteiros é justamente
ficar perambulando sem destino na
chapação zen da Terra do
Dragão.

Devido a dificuldade para se obter um
visto aqui no Brasil e outras
burocracias mais, o ideal é fechar
um pacote com alguma agência
ou encaixar Butão em sua viagem
à China ou Índia.
Os pacotes custam cerca de 3 mil reais por
cabeça por um período
de 8 dias e incluem passagem aérea,
hospedagem, alimentação
completa além de passeios. Em
São Paulo, procure a Gladtur
n (011) 883 1144; ou a Queensberry n (011)
255 021

Powell Peralta

Nada de Disney, Soho ou Venice. Os EUA
oferecem baladas muito mais interessantes
ao viajante inquieto. O Lake Powell fica
no deserto de Utah, oeste americano,
e sua formação deve-se a uma
barragem construída
na cidade de Page. O ponto mais famoso do
lago é o a Rainbow Bridge,
uma pedra em forma de arco-íris, de
onde as pessoas saltam. Dá
ainda pra nadar, velejar, andar de jet-sky
e fazer umas escaladas.

Transporte: Por 1100 dólares
chega-se à Page. Estadia:
O aluguel de um barco-casa por três
dias custa entre 700 e 2000
dólares, mas pode ser dividido
entre várias pessoas.

Labirinto de Lampião

Se
o procurado rei do cangaço conseguia
se esconder de tudo e de todos
no isolado Raso da Catarina, no centro-norte
da bahia, é porque o
lugar era (e ainda é) bastante
sossegado. Quase na divisa de Sergipe,
Pernambuco e Alagoas, o Raso é uma
aventura que deixa a roupa empoeirada,
o corpo suado e os olhos. São quase
60 quilômetros de canions
que podem ser escalados e cavernas com
água boa de beber, além
de lagartos, tatus…

Lampião e seu bando chegavam pelo
rio São Francisco e
entravam no Raso pelas cidades que o
circundam: Paulo Afonso, Geremoabo,
Nova Canudos ou Cococrobó, Fprmosa
Mucururé e Chorrochó.
Estes pequenos municípios, de gente
simples e curiosa, São
a porta de entrada para qualquer
visitante. É escolher um e descansar
a carcaça.

Transporte: de São Paulo a
Paulo Afonso, o vôo sai por
872 reais. É possível chegar
de carro também.

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