Marmelada, trabalho em equipe?
Qual a lógica de um trabalho em equipe? Uma dupla de surfistas brasileiros mostra
Por Redação
em 13 de setembro de 2006
Fosse na Fórmula 1, o líder teria tirado o pé. Seria obrigado a fazê-lo. Na penúltima etapa da temporada no SuperSurf, o circuito brasileiro de surfe profissional, dois colegas de equipe, Renato Galvão e Heitor Alves, disputaram a bateria decisiva. O primeiro, caso vencesse a prova de Itacaré, BA, manteria as chances de conquistar o título brasileiro, o segundo, que surpreendia ao chegar à final, começou a etapa apenas na 31ª posição no ranking.
O patrocinador de ambos, a catarinense Mormaii, provavelmente nem pensou na hipótese de interferir; o cearense Heitor Alves foi pra água "fazer a sua parte", se divertir, sem pressão, e o ubatubense Renato Galvão, campeão brasileiro em 2004, entrou na decisão com a obrigação de vencer, só assim iria para a etapa da Barra da Tijuca, Rio, no páreo.
Deu a lógica? Qual seria a lógica? Deu o Heitor, que desde o início do campeonato se adaptou bem às condições da praia de Itacarezinho e explorou com habilidade as manobras aéreas, podia tirar brevê. A Renato restou comemorar mais uma final, esta alcançada depois de virar algumas baterias na última onda, e elogiar o desempenho do colega. Uma atitude sincera e digna do esporte.
E foi outro cearense, André Silva, quem adiou a decisão do SuperSurf ao vencer Jihad Kohdr nas oitavas-de-final. O paranaense Jihad, líder folgado do ranking, era o único atleta que poderia vencer o circuito por antecipação. A nona colocação na etapa baiana, mesma posição alcançada por Odirley Coutinho, agora seu único rival, deixou Jihad numa situação bastante confortável para chegar ao seu primeiro título brasileiro profissional, basta passar duas baterias em outubro no Rio. Já para Odirley, três vezes vice-campeão do SuperSurf, só a vitória interessa.
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Se no masculino sete atletas chegaram à Bahia disputando o título, no feminino 15 das 24 competidoras chegaram à paradisíaca Itacaré com chances, mas, ao contrário do que aconteceu entre os marmanjos, o título feminino já tem merecido dono.
A carioca Andréa Lopes, 32, precisava vencer a quarta etapa da temporada para chegar ao seu quarto título, foi o que fez. Ficou sabendo pouco antes da final que a vitória lhe daria o campeonato por antecipação, e fez um surfe seguro para superar a paulista Cláudia Gonçalves e conquistar o inédito tetracampeonato brasileiro de surfe profissional.
Andréa é a surfista brasileira com mais história no circuito de competições. Cinco vezes campeã brasileira amadora, no início dos anos 90 ela entrou no circuito mundial, WCT, ficou com anorexia e teve que se afastar das competições. Em 1999 voltou a brilhar, se tornou a primeira brasileira a vencer uma etapa do mundial e conquistou seu primeiro título brasileiro pro. Desde então se mantém no topo, e já falava em se aposentar até a vitória no último domingo, que, ao que tudo indica, a animou a buscar o penta.
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NOTAS
MUNDIAL DE KITESURFE
A partir deste domingo, atletas de 30 países estarão em João Pessoa, PB, para a decisiva etapa do circuito PKRA.
QUINTAL DE CASA
É o novo filme dirigido por Rafael Mellin, que tem pré-estréia hoje. A equipe Hang Loose surfando em casa é o foco do DVD, e Danylo Grilo com o pai, Horácio, na Ilhas, São Sebastião, é uma das boas seqüências.
CORRIDA DE AVENTURA
A decisiva etapa do Circuito Brasil Wild acontece neste final de semana no Petar, com 117 km de percurso.
BRASILEIRO DE SURFE UNIVERSITÁRIO
O circuito com quatro etapas começa neste final de semana na Barra, Rio, passa pela Bahia, Santa Catarina e termina em dezembro em Maresias, SP.
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