por Gui Takahashi

O fotógrafo Jorge Sato dá dicas para quem quer entrar no mundo da lomografia

As Lomos são câmeras fotográficas analógicas que surgiram em 1982 e começaram a ser produzidas na antiga União Soviética, pela estatal LOMO - fábrica russa de armas e materiais óticos. Essas máquinas se popularizaram a partir dos anos 90, depois que dois estudantes vienenses encontraram uma Lomo Kompakt Automat em uma loja peculiar de Praga e começaram a tirar fotos cotidianas. Ao verem o resultado das fotos, ficaram fascinados com as cores, a saturação e as vinhetas, e logo espalharam a moda entre os jovens da capital austríaca. Em 1992, acabaram fundando a Sociedade Internacional de Lomografia em Viena, promovendo o movimento fotográfico que criaram. Juntamente com a comunidade, surgiu a Lomography, marca dedicada exclusivamente às lomos. 

Hoje, elas ajudaram a resgatar a onda analógica que voltou forte na fotografia. Apesar das digitais terem tomado o mercado, ainda há espaço para quem quer fotografar à moda antiga. O fotógrafo paulistano Jorge Sato é especialista no assunto e nos deu dicas básicas para quem quer começar a fotografar com esse tipo de máquina. Em julho, ele ministra um workshop em São Paulo, na Escola São Paulo, junto com André Corrêa, criador do site Queimando Filme.

Trip. Pra quem vai começar a fotografar com as lomos, quais sãos as dicas básicas?
Jorge. Acredito que um bom norte para as pessoas entenderem a ideologia das câmeras lomográficas é não se preocupar com técnicas avançadas. É interessante experimentar bastante e explorar resultados criativos e inusitados e, principalmente, divertir-se. Então, primeira dica: não ter medo de errar. No começo, é natural as fotos não saírem tão bacanas quanto a pessoa imagina, porque mesmo sendo câmeras simples, é preciso se acostumar com suas características. Mas essa é a parte mais divertida do processo: a cada novo filme, você vai aprendendo e sentindo a evolução em suas fotos, mas sempre com uma certa sensação de imprevisibilidade. Essa curiosidade e expectativa é algo único.

Quais são as melhores marcas de Lomo que temos aqui no Brasil? Com certeza a marca mais completa é a Lomography, tanto pela quantidade, quanto pela diversidade de modelos. Dá pra comprar pelo site deles, ou nas lojas físicas, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Há também uma loja virtual muito bacana chamada ToyCamera. Lá você encontra câmeras, filmes e acessórios que não são vendidos na Lomography, inclusive filmes para as antigas Polaroid.

Quais os 5 modelos de Lomo que você recomendaria pra iniciantes? Se a pessoa não se importar em gastar um pouco mais, eu iria de LCA+ ou LC-Wide, com toda certeza;, por terem a lente de vidro (ao invés de plástico) e conseguirem fotografar à noite ou em lugares fechados com menos luz. Agora se o fator preço é o principal, eu iria de Holga 35mm, Fisheye 2.0 ou La Sardina.

No começo, eu sempre indico as pessoas escolherem o filme 35mm (invés do filme médio formato 120) porque é mais fácil de ser encontrado, revelado e tem mais poses para fotografar. A diferença do 120 para 35mm, é que o primeiro tem menos poses (12 por filme) e o negativo é bem maior do que o 35mm, captando muito mais detalhes em suas fotos. Hoje em dia, o melhor custo-benefício é usar filme negativo 35mm. Quando a pessoa se acostumar com o processo analógico, então expandir para o médio-formato é uma opção incrível.

Há também a possibilidade de usar filmes cromo e pedir para serem revelados em químico de filmes negativos. Este processo se chama XPRO (processo cruzado) e resulta em cores super saturadas e altamente contrastadas.

As Lomos exigem algum tipo de cuidado especial ou manutenção? Quanto a isso não é preciso se preocupar. Por serem bem simples e de plástico, não há a necessidade de levar para o técnico ou deixar guardado junto ao anti-mofo. Mas é claro que não são câmeras indestrutíveis, então evite derrubá-las o tempo todo e manuseá-las de forma muito ogra.

Qual é o investimento inicial pra quem quer começar um kit lomo? O valor varia bastante da câmera mais simples à mais complexa, começando perto de R$ 100 e podendo chegar a quase R$ 1.100,00.

Os filmes também variam bastante, dependendo se é filme negativo, filme cromo, 35mm, médio-formato 120 e também pelo ISO (normalmente quanto maior o ISO, mais caro é o filme). É possível achar filmes por R$ 10, chegando a R$50 por rolo. Sobre o flash, é bem bacana possuir um, sim!

Você pode colocar filtros coloridos nele e fotografar em múltipla exposição, resultando em uma estética bem "lomográfica". Mas é preciso ficar atento porque não são todas câmeras lomográficas que permitem o uso de flash externo, e há algumas câmeras que já vem com um flash já embutido.

Vai lá: LC A+ / LC-Wide / Holga 35mm / Fisheye 2.0 / La Sardina

Se você ficou com vontade de comprar uma lomo, a Lomography têm lojas em São Paulo – Rua Augusta, 2481; e no Rio de Janeiro - Rua Barata Ribeiro 369 b. Já o site é o: www.lomography.com.br. A Toy Camera tem sua loja virtual no endereço www.toycamera.com.br

Workshop de lomo em SP: www.escolasaopaulo.org/atividades/workshop-lomo-inverno-2013/workshop-de-lomo

*Gui Takahashi, paranaense, é produtor de moda e publicidade em São Paulo. Na Trip, escreve sobre Moda e Consumo quinzenalmente 

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