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Lázaro Ramos

Se protagonistas negros conseguem boa audiência é porque é isso que o povo quer ver

Lázaro Ramos

Por Redação

em 3 de novembro de 2011

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Nosso convidado desta semana aqui nos estúdios do Trip FM é um dos mais talentosos e simpáticos atores brasileiros da atualidade. Lázaro Ramos, o primeiro galã negro de uma novela das 8, veio falar sobre paternidade, seu mais recente filme (O Amanhã Nunca Mais, do Tadeu Jungle), sobre sua estreia na direção teatral com a peça Namíbia, Não! (em cartaz no Rio de Janeiro) e também sobre mulheres, fama e dinheiro. Soteropolitano, ele mudou de direção na vida graças ao Bando de Teatro Olodum, onde encontrou os palcos. Alcançou visibilidade nacional com a peça A Máquina, em que atuava a lado de Wagner Moura e de lá para cá vem numa crescente de sucesso, mesmo passando por aluns tropeços como o famigerado filme Cinderela Baiana, estrelado pela eterna loira do É o Tchan, Carla Perez. 

“Esse filme provavelmente é um dos piores de todos os tempos”, ele ri. “Mas eu também preciso ser generoso com o filme. Foi uma loucura de fazer. Foi meu segundo filme e, se eu estou aqui hoje, talvez seja com uma grande colaboração desse filme. Principalmente por que, no fim das gravações, o filme começou a atrasar tanto que minhas diárias foram subindo e eu fui ganhando mais e mais dinheiro. Eu trabalhava como técnico em patologia de um hospital nessa época, ganhava um salário mínimo. Para fazer esse filme, acabei ganhando 30 salários mínimos. Então o que eu fiz? Peguei o cachê todo, coloquei na caderneta de poupança e pedi demissão.”

“Quando programas com protagonistas negros conseguem grandes índices de audiência, o público está dizendo: ‘eu quero ver isso também'”

Lázaro comentou com otimismo a abertura de mais espaços para atores negros na TV brasileira. Fugindo mais dos papeis estereotipados, especialmente nas novelas da Rede Globo, esse aumento do número de atores e atrizes negras vivendo papeis de protagonistas reflete, segundo o próprio ator, acima de tudo uma vontade do público.

“Hoje começaram a florescer oportunidades para outros atores negros. Especialmente com mais destaque e dentro de um padrão de personagens que não seja aquele estereótipo que historicamente a gente já falou várias vezes. Mas a coisa mais legal desse movimento é que ele vem do público. Quando programas com protagonistas negros conseguem grandes índices de audiência, o público está dizendo: ‘eu quero ver isso também’. É isso que eu acho mais saudável. O público está se manifestando através do prestígio que dá para as coisas que ele assiste. “

“Aqui no Brasil, essa questão racial é única. E quanto mais o tempo passa, menos eu tenho uma resposta para ela. As vezes a gente fala dos negros, mas esquece que cada negro é um negro. Eu não tenho autoridade para dizer, por exemplo, que o mês da consciência negra é ruim ou bom”, continuou Lázaro. “Ele tem é que fazer sentido para o indivíduo. Para muita gente, essa data é necessária para reafirmar sua luta e dizer que nós ainda não estamos em todos os lugares. Isso faz parte da democracia. É através de discussões como essa que a gente pode chegar democraticamente ao que a gente quer, que é a igualdade de direitos.”

Quando o assunto é sexo, cortesia da pergunta da redação da Tpm, o ator não tem meias palavras. Ao ser perguntado se já havia fingido uma dor de cabeça para fugir de sexo, ele responde na lata com o auxílio de um velho ditado baiano que ganhou fama através de declarações do príncipe do rock da Bahia, o grande Marcelo Nova, do Camisa de Vênus.

“Eu não vou me vangloriar aqui, mas a verdade é que eu nunca neguei fogo. Sei que um dia passarei por isso, mas é verdade. Eu ainda estou com 33 anos, em forma, faço atividade física e sou um homem generoso. Inclusive tem isso: enquanto eu tiver língua e dedo, o prazer estará presente.”

O Trip Fm vai ao ar na grande São Paulo às sextas às 20h, com reprise às terças às 23h pela Rádio Eldorado Brasil 3000, 107,3MHz 

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