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Mohamad Hindi, o chef que retemperou a linguagem da gastronomia

De MasterChef a criador de conteúdo, cozinheiro constrói carreira sólida ao unir gastronomia, cultura e negócios, refletindo sobre os desafios, riscos e transformações do mercado digital

Mohamad Hindi (@mohind), cozinheiro e criador de conteúdo

Mohamad Hindi (@mohind), cozinheiro e criador de conteúdo / Créditos: Divulgação


em 10 de abril de 2026

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Mohamad Hindi ganhou projeção nacional na primeira temporada do MasterChef Brasil e, desde então, construiu uma trajetória consistente fora da TV. Sem desaparecer depois da exposição inicial, ele transformou a cozinha em ponto de partida para um trabalho que hoje mistura gastronomia, comunicação e negócios. Com milhões de seguidores, desenvolveu uma forma própria de falar de comida, viagem e cultura. Um conteúdo direto e sustentado por repertório, pesquisa e uma preocupação constante em contextualizar o que está sendo apresentado.

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Antes de chegar a esse lugar, o caminho foi menos óbvio. Mohamad tentou publicidade, passou pela administração, trabalhou com a família em um negócio de móveis e chegou a abrir uma plataforma digital que não deu certo. Foi nesse percurso que a cozinha, presente desde sempre, deixou de ser um interesse paralelo e passou a ocupar o centro da sua vida. A origem também atravessa essa história. Filho de família libanesa, cresceu em um ambiente em que a comida está diretamente ligada à convivência, à memória e à construção de identidade. Esse olhar aparece até hoje no conteúdo que produz, que vai além da receita e se aproxima de um registro cultural. 

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Na conversa com Paulo Lima, no Trip FM, Mohamad fala sobre o que mudou na produção de conteúdo nos últimos anos. O ritmo acelerado das plataformas, a migração para o formato vertical e a redução do tempo de atenção transformaram a forma de produzir e consumir vídeos. Ao mesmo tempo, ele aponta um incômodo com a lógica do viral. “É um mercado que dá dinheiro, sim. Mas exige muito trabalho, comprometimento e é muito volátil. Estou há 12 anos nisso e sei que, a qualquer momento, pode dar errado”, conta. Para ele, a busca por alcance imediato pode até funcionar no curto prazo, mas não sustenta uma trajetória. Construir uma carreira nesse ambiente exige estratégia, consistência e uma estrutura que vai além da imagem individual. 

Outro ponto central da entrevista é a relação com o público. Diferente de figuras tradicionais da televisão, criadores digitais ocupam um espaço mais próximo, em que a audiência sente intimidade e atravessa com facilidade a barreira entre quem assiste e quem produz. Essa proximidade cria conexão, mas também exige adaptação. Mohamad relata situações em que essa exposição deixa de ser confortável e fala sobre o impacto disso na vida pessoal. Em um episódio recente, percebeu pela primeira vez o peso de ser reconhecido em espaços que antes eram anônimos. A experiência o levou a buscar terapia e repensar limites. 

A conversa também abre espaço para temas menos evidentes na construção da sua trajetória. Mohamad fala sobre a relação com o corpo e episódios de transtornos alimentares, que surgiram ainda na juventude. Um assunto que ganha outra dimensão quando atravessado pela profissão. Trabalhar com comida, imagem e exposição cria uma relação complexa entre prazer, consumo e controle. Ao trazer isso para a conversa, ele amplia o debate para além da cozinha e toca em uma dimensão mais pessoal do que significa viver desse universo.

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Hoje, a operação que sustenta seu trabalho envolve produção, estratégia e relação com marcas. A maior parte da receita ainda vem da publicidade, um modelo comum no mercado de criadores de conteúdo, mas que também carrega riscos. A instabilidade faz parte do jogo. Entre alcance, monetização e relevância, a entrevista desenha um retrato mais realista do que significa viver de conteúdo hoje. Um campo com potencial, mas que exige leitura constante do cenário e capacidade de adaptação.

Você pode ouvir o podcast no play nesta página, no SpotifyDeezerYouTube e outras plataformas de áudio. Confira um trechinho a seguir!

Trip. Como você enxerga a criação de conteúdo hoje?
Mohamad Hindi. A criação de conteúdo é uma loucura, porque a coisa muda constantemente. não existe uma ciência exata. Hoje em dia a gente cai mais para o vertical de conteúdos, e aí tem que ser aquela coisa dinâmica rápida. Antes eu fazia um estrogonofe no YouTube em 5 minutos eu falava, meu Deus, é muito rápido. Hoje em dia em 30 segundos, 40 segundos, a gente explica o estrogonofe e eu achava que não era possível e é possível.

E o que se perde nesse formato mais curto? Claro que você não consegue se aprofundar falando a origem do estrogonofe, mas vai lá e explica como a receita de estrogonofe e tá resolvido.

O que te incomoda no conteúdo atual? Uma coisa que me incomoda muito nos dias de hoje é essa busca pelo viral, né? Esses conteúdos meio burros, quase patéticos, mas tem muita gente fazendo meio babaquice, meio infantil.

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Vale tudo para viralizar? A que custo você faz pra viralizar e ter likes e visualizações sabe. Isso momentaneamente pode funcionar, mas construir uma carreira sólida fazendo isso, você não chega. Tem que tomar cuidado, ser estratégico, e claro que acho que tem irreverência. Mas vai além só da minha persona e da minha da minha forma de se comunicar, tem todo um trabalho por trás, não só meu como da minha equipe.

Como você lida com a exposição? Tem uma questão também que é da exposição e assédio, que é muito tranquilo, eu não sou um ator global, nada disso, mas é muito louco, porque quando você vê um global, alguém assim, as pessoas ficam meio receosas de falar. No caso das pessoas que trabalham com a internet, as pessoas são muito próximas. Então a pessoa sente ser amigo e vem falar, não tem esse receio e eu acho incrível, lido super bem com isso.

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Já teve momentos difíceis com isso? Mas há dois, três anos, tive duas crises assim de meio do nada. Estava em um festival, pouquíssima gente, aí eu tirei a camisa, fui para o bate-cabeça, já que gosto do rock ‘n ‘roll, e aí eu ouvia as pessoas falando, “caramba olha o Mohamad ali”, e não na maldade, as pessoas só estavam me reconhecendo ali no meio galera. Óbvio, nunca mudei minha vida, meu estilo de vida, sempre faço as mesmas coisas, mas ali me deu um negócio e fui para a terapia.

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