por Eduardo Ribeiro

O DJ dos Racionais volta ao beatmaking e à produção em ”Na batida Vol. 2 (No quarto sozinho)”, com Edi Rock, Rincon Sapiência e outros

Dezessete anos depois de seu primeiro álbum solo, Na Batida Vol. 3, o DJ dos Racionais MC’s reassumiu a linha de frente, voltou ao beatmaking e à produção musical e colocou na rua o álbum Na Batida Vol. 2 (No Quarto Sozinho). Engana-se, porém, quem pensa que No Quarto Sozinho foi realizado durante uma simples pausa dos Racionais e de suas discotecagens em clubes. KL Jay, na real, vinha lapidando a obra ao longo dos últimos cinco anos com o maior apuro. “O processo foi muito louco”, esmiuçou ele ao telefone. “Primeiro, porque eu descarreguei o disco inteiro em mono e, depois que descobri isso, parei o processo e o descarreguei novamente todo em estéreo. Sem contar que fiz várias mixagens, várias masterizações que não deram certo, foi um processo experimental.”

Experimental e exaustivo. Bem mais do que foi para ele a concepção do primeiro Na Batida, quando tudo, segundo conta, era novidade e o artista não ligava tanto para as horas passadas queimando um e produzindo as faixas. “Eu era mais jovem e a minha viagem era a da produção. Hoje, sei que sou muito mais um DJ”, disse. Mesmo assim, Kleber Geraldo Lelis Simões, aos 49 anos, na ativa desde 1984, sabe o que deve levar em conta quando se propõe a realizar uma produção. Um álbum, afinal, é para sempre. “Eu, o Roger e o Vander [colegas técnicos de estúdio], que trabalhamos na mixagem e masterização, a gente descobriu e pôs em prática a masterização stam, em que você faz em blocos”, descreve.

“Ao invés de fazer a mix da música e deixar ela toda em L-R, você cria a mix separada em cinco blocos, entre batida, arranjo, sample, voz, e, se você for pra casa, ouvir o disco, e tiver alguma coisa que incomoda, volta no estúdio e fala assim ‘Óh, essa caixa tá muito alta’, por exemplo. Aí vai na mixagem e reduz só aquele volume. Esse processo foi igual com a master também. Nós jogamos várias lâmpadas, erramos muito e chegamos num denominador comum.”

O novo trabalho segue o mesmo conceito do antecessor: ele desenvolveu as bases e convidou diversos MC’s para rimar em cima. Entre os convocados,  estão o companheiro de Racionais Edi Rock, Rael, Rincon Sapiência, MC Guimê, Kamau e Lay, além de seu filho, DJ Will. “Os convidados são MC’s com os quais me identifico e decidi manter o critério do Vol. 3, que era colocar no mesmo disco MC’s já consagrados e reconhecidos ao lado de outros mais novos e em ascensão, porque o antigo e o moderno caminham juntos.” Ao longo das faixas, este encontro da velha com a nova escola do rap é justamente o maior atrativo do conjunto. A sonoridade parte do rap dos anos 90 e se desenrola temperada com samples de Gil Scott-Heron, Donald Byrd e Curtis Mayfield. Traz, além disso, inserções de estilos mais contemporâneos, como o trap.

“Minha base são os grooves antigos, mas nunca deixei de acompanhar um pouco da musicalidade moderna”, explicou. “Por isso, no meu disco tem um pouco de trap e timbres novos. Procurei valorizar o boom bap de 1999, 2000, 2005... Acho que tudo é atual. O antigo é atual também. Mas você não pode se esquecer do novo, dos artistas novos, do que está sendo feito agora”, advertiu. Entre as principais influências, KL Jay elenca J Dilla, Dr. Dre, Marley Marl, Premier, RL Grime, Madlib, 9th Wonder, Pete Rock e Just Blaze.

O disco e o flerte com diferentes vertentes se conecta ao momento de maturidade de KL Jay, que hoje se sente muito à vontade para dar passos para fora do universo do hip hop, jazz, funk e correlatos do qual sempre fez parte. “Quando a gente vai ficando mais velho, começa a apertar o botão do foda-se, então vou assumir: sempre gostei de drum’n’bass, house e tech-house. E de música eletrônica em geral, só que, nos últimos dez anos, era algo que escondia.” Isso explica a razão pela qual ele ousou em tentar incluir uma faixa de house no Vol. 2, sem esquecer de mencionar que a música ainda trazia um sample de “Como eu quero”, do Kid Abelha. “Esse som apenas não saiu nas plataformas porque os advogados do selo ficaram me enrolando demais, embora os donos da composição tivessem autorizado”, lamenta. “Queriam que eu fosse me humilhar pra eles, e não vou fazer isso. O nome da música que fiz junto com o Vander é ‘Eu quero você’. Ficou bem louca, mas infelizmente foi pra gaveta.”

“Tá Patrão 2.0”, o primeiro single que divulgou de No Quarto Sozinho, abre com um verso de Renan Samam, que explica a liberdade que hoje sente em relação a tudo que faz: “O rap é compromisso e eu sou uma indústria. Fazendo cash igual o Skaf na Fiesp. Hoje, eu sou chefe. Sem crise, sem greve”. Mas sem nunca perder a combatividade que traz em sua raiz: “Vou continuar lutando do meu jeito, me defendendo do meu jeito, tendo poder do meu jeito. Sempre fui antissistema, sempre me virei sozinho, eu e meus parceiros”, finaliza.

Créditos

Imagem principal: Douglas Vieira

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