por Felipe Maia

A moça parou um pouco para as nossas lentes, felizmente

Junia Cabral chegou e perguntou o porquê da entrevista. Junia não tem tempo a perder. Junia vai pra um curso, anda de patins, trabalha, dá um rolê de skate, vai pra academia, cuida do cachorro, vai pra outro curso, sai da dança, trabalha, entra em casa e volta pra rua. Junia não tem tempo nem para sonhar. Junia não quer. Junia vai e faz e corre e atua. Junia Cabral.

Só repetindo o nome para ficar gravado -- ainda que as fotos ajudem, e muito, a lembrança. A gaúcha de 25 anos parece nascida na capital paulista, tamanha a destreza em lidar com a velocidade urbana. “Desde criança eu sonho em vir para São Paulo. Eu vim como modelo, mas se eu tivesse de vir para trabalhar como garçonete, viria também”, conta ela.

A vida de fotos e revistas como a Trip são um passo na caminhada planejada por Junia. “Desde que me conheço por gente eu sabia que daqui eu ia pra fora do país“, diz. Ela começou a se conhecer como tal em Santa Maria, no Rio Grande Sul. Na pequena cidade, usava tênis e ia ao shopping, mas quando ia ao interior do estado, metia o pé no barro.

“Eu ia pra fazenda e sempre estava toda suja, com um monte de bichos, andando de trator, pescando!”, lembra ela.O amor pelos animais continua até hoje. Malu, sua cachorrinha, é uma das poucas coisas que conseguem parar Junia. A sua vida repleta de afazeres também vem da infância. “Sempre fui muito agitada”, conta.

Natural que encontrasse pouso na paulicéia acelerada. Formada em Design de Interiores e agenciada como modelo, Junia quer mesmo ser atriz. Ou, nas suas palavras, vai ser atriz. Já circulou por várias escolas de artes cênicas da cidade e estuda línguas para se preparar ao cinema norte-americano. “Meu corpo pertence a arte”, diz ela, de peito aberto.

Essa mesma arte, Junia afirma, é a única coisa que a faria tirar suas tatuagens. Nem mesmo namorado ou namorada — “gosto de deixar essa dúvida” — arrancariam um dos vinte rabiscos da sua pele. Você pode procurá-los por esse ensaio, uma das poucas coisas que pararam a moça.

“Meu jeito é assim, tranquilo, comendo salada de frutas, no meio da natureza, no mar, pé descalço no chão”, afirma ela. A gente duvida, embora as fotografias não mintam. O tempo se dilata enquanto ela exibe o corpo sinuoso entre uns pedaços de pano -- roupas, talvez. Que seja uma hora ou um dia, isso não se esquece. Corra, Junia, mas deixe sua lembrança pra gente.

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