por Autumn Sonnichsen
Trip #221

Nativa de Noronha, ela nasceu, cresceu e fez seu primeiro ensaio sensual no paraíso brasileiro

Júlia Bernardi, 19 anos, nasceu e cresceu em Fernando de Noronha, “em uma casa simples na ponta da ilha”. Ela sobe em qualquer árvore, pega carona com todo mundo e tem um cachorro que só entende francês

Em Fernando de Noronha, existe a lenda do pecado. Ela é da época de quando Noronha ainda era uma ilha sem mulheres, a prisão selvagem dos homens. Fala sobre o amor proibido entres dois seres gigantes, adúlteros e, com certeza, um tanto safados. Foram castigados por amar demais (leia-se: por fazer muita safadeza por aí) e transformados em cartões-postais para os turistas. Os dois viraram o Morro do Pico e o Morro dos Dois Irmãos.

Noronha é uma ilha no meio de um Atlântico bravo, um pequeno paraíso feito da pedra vulcânica de um amor proibido. Desse vulcão, que era uma ilha sem mulheres, vem esta mulher aqui, a Júlia, de 19 anos. Ela cresceu numa casa simples na ponta da ilha, cercada de mar, com uma mãe bronzeada que acorda de baby-doll cor-de-rosa e um cachorro que só entende francês. Sabe o que significa “nadar no mar de fora”, sabe esperar a maré. Seus pés já sabem pisar nos ramos certos das árvores vermelhas, seu rosto já procura o sol e a sombra com facilidade. Sabe como funciona o músculo da curva da bunda, como mexer as linhas das coxas douradas.

Ela se empolga mostrando a terra dela. Sobe nas árvores, deixando a blusa branca cair na grama, coberta de flores vermelhas. Sobe nas pedras. Suas pernas firmes e morenas a levam para todos os cantos da ilha. Pega carona com facilidade. Gosta de comer lagosta, sabe quebrar um marisco com uma pedra para alimentar os peixes.

Ela tira o biquíni, deixa a bandeira voar atrás dela no vento junto com os cabelos

No nosso primeiro encontro, busco ela em casa cedinho, no amanhecer. Ela abre a porta de calcinha branca e de canga. O cachorro loiro deve estar pensando o mesmo que ela, acompanhando cada passo seu. Júlia fala francês – um souvenir de um ex-namorado da mãe – com ele. O vento bate forte, espalhando os cabelos dela pelo rosto. A blusa cai dos ombros.

Tal mãe, tal filha

Parece um sonho acordar nessa casa dourada com o sol da manhã, uma pequena cerca de madeira e o oceano enorme e violento atrás, numa rua sem número. A mãe, vestida com uma camisola de seda e renda, sai do portão. Um sorriso sonolento se abre. Ela olha para a filha, nua e com os cabelos ao vento, com certo orgulho, de um jeito que só uma mulher linda e forte olha, quando sabe que com seu corpo fez outra mulher linda e forte. Dá um beijo no rosto da filha e faz um café para nós. Me sinto honrada de poder testemunhar esse tipo de coisa, o quanto essas duas mulheres são fortes, bonitas, sexy e pertencem uma a outra. E moram aqui, nessa pequena casa de cimento pintado de amarelo com água brava em volta.

No dia em que a gente pega um barco e sai pela Praia do Sancho, fico maravilhada com o quanto ela é adepta do mar. Sabe navegar as ondas, fica dois minutos na apneia, dando cambalhotas nua por baixo das ondas. A menina é feita de sol – só de olhar para a pele dela já dá calor. Ela me diz que quer virar fotógrafa, que quer fotografar paisagens. Que vai pegar a grana que ganhou fazendo essas fotos para fazer um curso de fotografia em Natal.

Depois fomos para uma baía, cujo nome não me lembro mais. Pegamos a bandeira de Noronha emprestada da prefeitura, a única bandeira que existe na ilha.

Ela tira o biquíni, deixa a bandeira voar atrás dela no vento junto com os cabelos. Levanta mais a bandeira para mostrar melhor a bunda dourada. “Assim tá bom?”

E aqui estamos, com o que sobra dessa ilha do paraíso e do pecado, com essa mulher tão jovem, com tanto potencial. O escritor Oscar Wilde disse melhor: “Represento para você todos os pecados que nunca teve coragem de cometer”. Eis a Júlia. Ela, o pecado mais corajoso do paraíso.

Coordenação Geral: Adriana Verani
Produção: Flavia Fraccaroli
Assistentes de Foto: Michele Roth
Agradecimentos: Atairu Brasil / Atlantis Divers / Dolphin Hotel Noronha / Parque Nacional Marinho Fernando de Noronha - ICMBio

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