por Caio Ferreti
Trip #216

Unindo estudos científicos e esporte para fazer do Brasil uma força olímpica

Na base da ciência, Irineu Loturco Filho ajudou vários atletas a subirem no pódio dos jogos de Londres. Ele criou o Núcleo de Alto Rendimento, um lugar que une estudos científicos e esporte para fazer do Brasil uma força olímpica

 

É difícil acreditar que daquele galpão saíram tantos atletas olímpicos. Vários medalhistas. A aparência é de uma academia convencional, mas olhando mais de perto dá pra entender por que aquele espaço faz jus ao pomposo nome de Núcleo de Alto Rendimento do Grupo Pão de Açúcar, em São Paulo. O principal equipamento de trabalho por ali não são os aparelhos físicos. São notebooks e uma porção de sensores. Como diz o responsável pelo núcleo, Irineu Loturco Filho, trata-se de um “lugar de estudos científicos”. E ciência, meus caros, tem tudo a ver com esporte.

Por ali passaram nada menos que 82 atletas que representaram o Brasil nos Jogos Olímpicos de Londres. Isso inclui, por exemplo, os irmãos medalhistas do boxe Yamaguchi e Esquiva Falcão. “Eles vieram aqui de duas a três vezes por semana nos dois meses que antecederam a olimpíada”, conta Irineu. Também bateram ponto ali 50 atletas paraolímpicos que viajaram ao Reino Unido. Era toda a delegação de atletismo, responsável por 18 pódios nos jogos. “Posso dizer com absoluta certeza: temos a maior densidade de atendimento a atletas olímpicos no mundo. E se você reparar aqui é uma estrutura pequena.”

O que atrai tantos esportistas top a um lugar de pequenas proporções? É que, ao aliar ciência, tecnologia e esporte, Irineu desenvolveu um sistema para avaliar qual o melhor treinamento para um atleta. A partir de alguns testes – e muitos cálculos – ele descobre o que precisa ser mais trabalhado. E essas informações vão parar nas mãos dos técnicos. “Aí traçamos juntos um plano de treino de acordo com as necessidades. E o que mais nos interessa nesse trabalho é ajudar efetivamente no processo de formação dos profissionais que trabalham no esporte”, diz Irineu. “O mais importante é a questão do conhecimento. Com um treino eu atinjo um atleta, mas ensinando um treinador eu atinjo toda a equipe de atletas dele.” O empresárrio Abilio Diniz, idealizador do núcleo, completa: “O NAR espera criar uma consciência científica entre treinadores e atletas, fator importantíssimo no desenvolvimento de um país que sonha em se tornar uma potência olímpica”.

Um legado para o país

O Núcleo de Alto Rendimento é um grande ginásio dividido em duas partes. De um lado ficam equipamentos que lembram muito uma academia comum. No outro está uma quadra poliesportiva. Em uma das laterais há uma pista com um colchão ao final, para o treino de salto com vara – onde Fabiana Murer foi avaliada, aliás. Em uma salinha fechada fica todo o aparato tecnológico. Foram investidos
4 milhões de reais no projeto inaugurado há exatamente um ano. “Como nasceu o NAR?”, pergunta Irineu. E ele próprio responde: “O Pão de Açúcar queria desenvolver um projeto olímpico. Eu criei um”. Ele liga o notebook e abre um arquivo. “Minha apresentação para eles começava com a seguinte pergunta: ‘Como deixar um legado para o país?’. Isso é o principal.”

Agora Irineu já faz planos para expandir o projeto. Quer montar um octógono para receber lutadores de MMA – Vitor Belfort, diga-se, já frequenta o local. E mais: “No médio prazo quero investir no esporte de base. O projeto de alto rendimento fica manco sem um programa de esporte de base”, diz. E não é só porque ele sonha em ver o Brasil como potência nas próximas olimpíadas. Os motivos vão além. “Pra mim, o esporte é uma ferramenta transformadora da sociedade. O Guga, o Neymar, a Fabiana Murer, o Ayrton Senna, eles são heróis nacionais. E eles inspiram pessoas. Não inspiram só para se movimentar, inspiram o cidadão.”

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