INTERNET PRA QUÊ?
O noticiário dos jornais, televisões e da própria Internet começam a falar no fim da fase infantil da nova economia
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
O noticiário dos jornais, televisões e da própria Internet começam a falar no fim da fase infantil da nova economia, algo que os observadores um pouco mais atentos já antecipavam desde o ano passado. Entende-se por fase infantil aquela em que recebemos toda a atenção do universo, tentamos agarrar, pegar e engolir tudo o que vemos e nos parece minimamente apetitoso, sem medir as conseqüências desastrosas que este ‘engolir’ voraz pode acarretar.
É ótimo que passe esta fase. Que chegue logo ao menos a adolescência da Internet, uma fase em que a sutileza e a sofisticação vão ocupando lugar na vida e, principalmente, percebe-se que nossos atos têm de respeitar o outro que, acabamos de descobrir, também existe. Na Trip, a revista que edito há 14 anos, fizemos um amplo estudo para entender prá que diabos, afinal, serve esta tecnologia toda resumida na palavra Internet. Gostaria de partilhar com aqueles que perdem algum tempo lendo esta coluna:
É inevitável reafirmar o que tem sido nosso credo nesses quase quatorze anos de revista no papel (e no rádio) e perceber que o novo ambiente apenas potencializa aquilo em que acreditamos e praticamos: com ou sem Internet, o que importa sempre foi, é e será a pessoa. É fácil notar que a vida nos interessa enquanto puder ser desfrutada como uma grande experiência sensorial e espiritual.
No esporte, não queremos a performance, queremos a superação do medo, dos limites internos, a elevação da alma. Da sensualidade feminina, não queremos apenas o corpo, as curvas, queremos o mistério, a eletricidade da atração que não se explica de modo fácil. Nas entrevistas, não queremos saber apenas o nome do xampu preferido, mas o que vai além da epiderme que transformou e transforma aquela existência, para que a vivência de quem lê possa se transformar. Na moda, não nos interessam os cabides e os conceitos decididos nos ateliês, queremos descobrir como e por que vivem determinados tipos de pessoas, para tentar traduzir e entender seus sentimentos através, inclusive (e não exclusivamente) das roupas e acessórios que escolheram.
Nas viagens, nunca tivemos vocação para os serviços, descobrindo chalezinhos nas montanhas ou o melhor e mais barato restaurante de trutas. Buscamos recolher no coração e no cérebro o resíduo da experiência de cruzamento com outra cultura, outras formas de natureza – ver o planeta que realmente transforma quem viaja no que há de melhor dos dois, ou mais mundos, que se encontram. Ouvindo interlocutores qualificados para dar opiniões sobre o novo desenho da civilização, já que são os autores de alguns traços importantes deste retrato novo da cara do mundo – só ratificamos o que, de forma consciente ou não, sempre sentimos ser nossa grande vocação. À Trip, o que interessa é gente. Se preferir – como muitos preferem – pode chamar de ‘comportamento’.
O que nos interessa na Internet é perseguir tudo que possa ser feito, com e através dela, para entender melhor e desfrutar a grande experiência de passagem por esta dimensão de vida.
Nossa visão sobre a rede é positiva e otimista. Achamos sim, que esta ferramenta tem tudo para ser usada com inteligência, levando diversão, informação e educação para mais gente, liberando pessoas de tarefas pesadas e que consomem tempo, para que possam se dedicar mais àquilo que gostam, viabilizando outras idéias que defendemos durante tanto tempo na revista:
Construir é uma grande aventura. Trabalho pode e deve ser igual a prazer.
Estética é pouco, tem de vir com ética. E ética dá lucro!
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