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Inimigo invisível

Nas provas de resistência, vale mais a técnica que a força

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Pouco antes da largada, o organizador Mark Burnett alertou: quem quiser pegar o dinheiro da inscrição de volta e desistir, esta é a última chance, a prova não vai ser brincadeira, cansei de ouvir que só faço prova fácil. Apesar de a grana ser considerável, US$ 14.500, nenhuma das 81 equipes inscritas para a nona edição do Eco Challenge se intimidou. E continuou dizendo que, após a largada, não importava como, as equipes deveriam terminar a prova, abrindo uma brecha para a quebra de certas regras.
Para os habituados à mais difícil corrida de aventura do mundo, nenhuma novidade, mas, para quem estreava no Eco Challenge, não carregar equipamento ?obrigatório?, utilizar um nativo como guia ou montar um cavalo encontrado no caminho estava fora de cogitação. Melhor para os experientes.
A corrida realizada há pouco mais de um mês em Fiji foi reconhecida como a mais difícil da história. Enquanto no ano passado, em Bornéo, 74 das 77 equipes participantes finalizaram a prova, este ano apenas 23, ou 28%, chegaram ao final, mesmo assim, divididas em três cortes, apenas 10 concluíram a prova completa.
As correspondências enviadas dias antes para os competidores alertavam que a prova seria ?molhada?, mas ninguém imaginou que mais da metade seria dentro ou à margem do rio; também alertavam que eles teriam que construir um barco, mas ninguém esperava um punhado de bambus e uma corda para desenvolver suas habilidades na engenharia naval.
E as surpresas não paravam. O transporte para o local da largada foi feito em ônibus mambembe, com som alto, por estradas esburacadas, num percurso de 12 horas. O mapa com o roteiro de 500 quilômetros, com trekking, bicicleta, duck individual, remo no bili-bili (barco local que deveria servir de modelo para os ?engenheiros?) e no caiaque oceânico e técnicas verticais, só foi entregue 10 minutos antes da largada, mesmo assim, uma carta rudimentar que teve que ser copiada pelas equipes. E, para completar o quadro de penitência humana, em vez do clima tropical esperado em Fiji, temperaturas que à noite beiravam os 10 graus centígrados e chuva 24 horas por dia.
Apesar da crueldade da prova, o percurso pelo interior da ilha e pelas águas translúcidas sobre corais na costa, associado ao contato com a cultura primitiva dos nativos fascinou os competidores.
O Eco é disputado em times de quatro integrantes, sendo obrigatório um do sexo oposto. Este ano a orientação foi ainda mais decisiva devido à sensível redução dos postos de controle, foram apenas 18. Três equipes representaram o Brasil. A atual campeã brasileira, a Lontra (12ª), e a EMA (21ª) concluíram a prova. A Atenah, com três garotas, esteve nas primeiras colocações no início, mas parou quando uma integrante adoeceu.
A equipe neozelandesa NZ Seagate venceu a prova em 6 dias e 23 horas. A integrante feminina da equipe, campeã mundial de mountain bike, declarou estar aliviada por vingar a derrota por apenas 15 minutos no ano passado e disse preferir as provas de bike para não ter que esperar por ninguém.
Mulheres e pessoas mais velhas costumam se dar bem no esporte, no qual organização e experiência são mais importantes que velocidade e força. Pilotar o mapa é melhor que passar horas perdido na selva; tratar a água para beber leva algum tempo, mas evita desistir da prova por infecção. Esse é o inimigo invisível dessa prova. Nada menos que 80 participantes foram parar no hospital. Muitos continuam, caso de Alexandre Freitas (EMA) ainda internado na Austrália.

Mundial de surfe
Faltando ainda uma etapa, o havaiano Andy Irons já garantiu o título do WCT. Na prova disputada em Sunset, Havaí, Joel Parkinson venceu; Peterson Rosa e Neco Padaratz ficaram em quinto. Hoje começa o período de espera de Pipeline.

Canoas havaianas
A etapa decisiva do circuito brasileiro acontece neste sábado num percurso de 42 quilômetros. Com seis integrantes, as equipes largam de Santos passam por São Vicente, Ilha Porchat, Cubatão, pelo porto e voltam.

Mundial de wakeboard
Começa hoje na lagoa Rodrigo de Freitas, Rio, a terceira edição da prova que tem como principal atração o americano Darin Shapiro.

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