Logo Trip

Há males que vêm para o bem?

Problemas financeiros empurram programação de surfe para a TV aberta

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon

O que um empresário espera ao patrocinar um atleta? Em geral resultados. Assim, o atleta ganha destaque, torna-se ídolo, aparece na mídia, a marca cresce, o produto vende e fecha-se o ciclo. O atleta renova o contrato, recebe aumento e a vida continua.


Na teoria faz todo o sentido, mas, na prática, o que se vê são vários talentos promissores que, sem uma ajuda financeira, limitam seu desenvolvimento ou acabam abortando uma carreira de sucesso. Poderíamos falar da ginástica olímpica de Daniele Hypolito, da natação de Eduardo Fisher ou mesmo do ?rico? futebol, mas vamos focar no surfe, que é a nossa praia.


No final do Super Surf 2002, o circuito profissional brasileiro, cerca de 20 atletas entre os 45 que compunham a elite nacional estavam sem patrocinador ou, no máximo, tinham um apoio do mercadinho do bairro. Atletas de ponta como Eric Myakawa, quarto no ranking, correram o circuito sem adesivos na prancha e outros, como o bicampeão brasileiro Jojó de Olivença e o campeão mundial do WQS Armando Daltro, subpatrocinados.


E a situação para os brasileiros que disputam o circuito mundial não é muito diferente. Enquanto o hexacampeão mundial, Kelly Slater, recebe US$ 1 milhão por ano pela exclusividade para a Quiksilver e o atual campeão, Andy Irons, cerca de US$ 35 mil por mês para vestir a camisa da Billabong, os melhores brasileiros suam as deles para conseguir US$ 5 mil mensais.


E se o quadro já não é favorável, pode piorar. As revistas especializadas, que ainda são o veículo de comunicação que mais pesa na decisão dos potenciais patrocinadores, vêm caindo em circulação, aliás, como ocorreu com a imensa maioria de títulos em bancas no ano passado. E a emissora de TV que mais espaço e atenção dedicou ao surfe nos últimos anos, o Sportv, passa por grandes mudanças e alguns cortes já foram feitos.     


O modelo de TV por assinatura promoveu o crescimento dos esportes e o interesse do público por eles, e acabou criando uma armadilha. Os atletas exigem mais salários, clubes e organizadores de eventos querem mais pelos direitos de imagem e a competição entre as operadoras, que deveria ser um fator positivo, acaba por inviabilizá-las. Com operações deficitárias, em vez de mais e melhores conteúdos, o que resulta dessa concorrência é a redução de novas produções, a queda da qualidade e exaustivas reprises.


No Sportv, programas de alto padrão como o Surf Adventures, acabaram saindo do ar. Por outro lado, a manutenção dos programas produzidos por Ricardo Bocão e Antonio Ricardo ? Rip, Extra, Final Heat, WQS e Cala a Boca Bocão ? e o retorno do WCT, apresentado por Paulo Lima, à grade evidenciam a importância que a emissora dá ao surfe e aos esportes de ação.


Essa importância pode ganhar outra dimensão. As dificuldades financeiras contribuíram para a criação de um centro de conteúdo formado pelo jornalismo esportivo da Globo e o núcleo do Sportv. Os programas serão produzidos por esse centro e estarão disponíveis tanto para a TV aberta quanto para a fechada, nos moldes do que acontece hoje entre Globo e Globonews.


Com produções de qualidade, inclusive as independentes, desenvolvidas por profissionais envolvidos com os esportes, é possível que a Globo utilize mais esse material em sua programação e, aí sim, os patrocinadores percebam o potencial desses atletas e do esporte, a exemplo da Volkswagen.


Sem espuma
A falta de blocos de poliuretano na época de maior consumo está deixando os fabricantes de pranchas em pânico. A Bennett, principal fabricante do país, alega dificuldade na importação de matéria-prima.


Columbia de los volcanes
As primeiras equipes devem estar próximas de concluir a terceira edição da corrida de aventura que atravessa a Cordilheira dos Andes e dura até sábado. São 400 quilômetros de trilhas, pântanos, rios de degelo, vulcões nevados e lagos para equipes de quatro atletas.


Aspen X Games
Em sua sétima edição os Jogos de Inverno voltam à estação do Colorado, EUA, na próxima semana. São esperados mais de 200 atletas disputando meio milhão de dólares em prêmios entre snowboard, esqui, snowmobile, snowcross e moto extreme.

PALAVRAS-CHAVE
COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon

LEIA TAMBÉM