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Guerra feita de batalhas

Kelly Slater e Andy Irons fizeram a final mais espetacular do ano em Pipeline, Havaí

Por Redação

em 20 de dezembro de 2006

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Não dava para imaginar uma final mais emocionante para um campeonato que já estava decidido com duas etapas de antecedência. O palco ajuda: Pipeline, Havaí. Os protagonistas ainda mais: Kelly Slater e Andy Irons. Com esses dois e aquelas ondas, o espetáculo era certo, mas o que se viu foi além.

Desde que o então hexacampeão mundial Slater voltou ao Tour em 2002, depois de três anos ausente, não há dúvida de que Irons, então com seu primeiro título, foi o seu maior rival e o principal incentivo. Nesses últimos anos dá para dizer que a guerra está empatada, com dois títulos mundiais para cada um, mas são as batalhas diretas que realmente empolgam os amantes do esporte e dividem os fãs dos dois ídolos.

Uma delas aconteceu lá mesmo em Pipeline, em 2003, quando o título mundial só foi decidido nas últimas ondas da última bateria da temporada, e ficou com Irons, havaiano do Kauai, que saiu da água consagrado. Ano passado, num Jeffrey’s Bay clássico com ondas de oito pés, o americano de Cocoa Beach, Flórida, venceu de forma incontestável a bateria que marcou sua arrancada para recuperar o título mundial.

O confronto entre os dois é, sem dúvida, o maior clássico da atualidade no Mundial de surfe, e este ano só foi acontecer na última bateria da temporada. Slater com o octocampeonato assegurado, Irons com o tetra da Tríplice Coroa Havaiana garantido desde a derrota de Mick Fanning nas oitavas-de-final, podia ser uma disputa morna, mas foi histórica, para alguns a maior em 36 anos de disputa do Rip Curl Pipeline Masters.

Slater começou a quinta-feira decisiva passando nas oitavas-de-final mesmo cometendo uma interferência, sendo penalizado com a soma de apenas metade da sua segunda nota (somou um 10 + 8/2). Passou as quartas e a semi em primeiro e liderou a decisão de 35 minutos até os seis minutos finais.

Parecia que voltaria a vencer em Pipeline depois de sete anos – a última foi competindo como convidado na única etapa que disputou em 1999 – e superaria o mais antigo recorde da ASP e o único que não detém isolado, o de vitórias em provas, 33, que divide com Tom Curren. Liderou a bateria desde o começo e somava confortáveis 9 e 8,53. Foi quando Irons completou um difícil tubo para a esquerda e voltou à disputa; precisava de um 9,1. Ao voltar para o fundo logo pegou outro que lhe valeu 9,87 pontos e passou a liderar a decisão.

Faltando três minutos, Slater e Irons remam juntos na mesma onda, Slater leva a melhor na disputa da remada, a onda é boa, mas ele não soma os pontos necessários para a virada. Irons vem na de trás, a maior e melhor da série, dessa vez desce para a direita, Backdoor, some na cortina de água e só vai aparecer segundos mais tarde, de braços erguidos já comemorando a vitória. Um tubo nota 10 que sacramentou a vitória. O resultado lhe deu novamente o vice-campeonato mundial, e para nós a certeza de que a guerra ainda não tem um vencedor.

NOTAS

MAIS PIPE MASTERS
O campeonato foi quase todo dominado pelos havaianos, mas teve três americanos na final (na geografia do surfe o Havaí segue como nação independente), dois deles coadjuvantes: Cory Lopez e Rob Machado.

EVEREST ESPECIAL
A ESPN Brasil mostra neste sábado, às 20 h, um especial sobre a vida de Vitor Negrete, com imagens inéditas da última expedição do alpinista.

FESTIVAL PETROBRAS DE SURFE
A terceira edição da competição por equipes que mistura homens, mulheres e longboarders terminou domingo no Rio com a vitória da equipe Marlim, formada por Michelle dês Bouillons, Flavio Costa e Eduardo Bagé.

PALAVRAS-CHAVE
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