Guardar em si doçuras e esperanças
em 23 de março de 2012
Sonhei que eu era um sonhador
Sonhei ser escritor. Sujeito cuja infelicidade e sofrimento guardassem em si, doçura e esperança. Pensei escrever seria aliviar, desabafar, absorver o incompreensível. A palavra sempre me acolheu sem julgamentos.
Estou anacrônico. Tudo esta cada vez mais na base do ‘fique rico ou morra tentando’. E eu cada vez mais poesia e encanto. As idéias me voam como passarinhos enquanto respiro. À tarde, quando os raios de sol se inclinam e o verde das folhinhas recebe dourado nas pontas, escrevo que nada é tão grande. E assim descubro que nada responde melhor ao propósito de existir do que conseguir satisfação em estar existindo.
Nas escritas rupestres o homem já manifestava seu prazer em viver. Desenhava os animais que devorava e figuras humanas em atividades sexuais. A linguagem foi criada para revelar alegrias, prazeres e agruras do homem em sua luta existencial.
Só encontrei meu lugar no mundo quando consegui criar pontes entre eu e os outros através da escrita. Claro, tudo seria assim ótimo, não fosse eu humano, como uma represa, sentindo-me vazar aos pouquinhos, escravo da ansiedade e da voracidade de viver que sou…
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Luiz Mendes
22/03/2012.
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