Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Anticlímax é a palavra que melhor define o circuito mundial de surfe (WCT) do ano passado.
Programado com um calendário mais enxuto, a fim de permitir aos surfistas atenderem outros compromissos e terem um período maior de descanso, com um aumento significativo de premiação, e em praias e datas que permitissem as melhores condições de mar, o tour foi abortado em consequência dos atentados de 11 de setembro.
O cancelamento de três das oito provas previstas fez com que o título caísse no colo do inexpressivo norte-americano C. J. Hobgood, 22, que se tornou campeão mundial sem vencer uma única etapa.
Contribuíram ainda para esvaziar o status do WCT em 2001 o crescimento das provas e os concursos de ondas grandes. O sucesso dessas competições, distribuindo um bom volume de prêmios e atraindo atletas, público e mídia, acabou dividindo o cenário.
Mas a temporada 2002 acaba de começar e a expectativa para esta 27º edição não poderia ser melhor. À exceção do número de provas, que deve voltar a 12 neste ano, o que há anos vinha sendo pleiteado pelos atletas da elite pode acontecer.
Os 46 melhores do mundo terão US$ 250 mil em prêmios por etapa, US$ 30 mil dos quais caberão ao campeão, e mesmo aqueles que forem desclassificados de largada receberão US$ 3.000 pela participação. Um aumento significativo, totalizando US$ 3 milhões ao final da temporada, valor que se ainda está distante do que oferece o tênis por exemplo, já supera, e muito, a premiação de esportes menos emocionantes e populares como o vôlei de praia.
Com locações criteriosamente escolhidas, essa grana toda promete ser disputada em ondas nas quais os atletas enfrentarão desafios e poderão mostrar todo o potencial dos melhores competidores do mundo. Kirra, Teahupoo, Cloudbreak, Jeffreys, Mundaka, Sunset, Pipeline, além de Saquarema (RJ), que pela primeira vez irá sediar uma etapa do WCT, compõem a lista dos sonhos de qualquer surfista e na qual o tour será desenvolvido.
As primeiras baterias disputadas na etapa inaugural em Burleigh Heads, Austrália, terça-feira, sinalizam outro aspecto positivo para a temporada. Até ser interrompido para aguardar melhores condições das ondas, só estreantes venceram no Quiksilver Pro. Ainda que apenas quatro baterias tenham acontecido e que a maioria dos favoritos ainda não tenham competido, não deixa de ser um indicador de que será um ano disputado.
Taj Burrow, Andy Irons, Mick Fanning, entre os mais novos, Shane Dorian, Luke Egan, Sunny Garcia, entre os veteranos, são nomes lembrados para a disputado com Kelly Slater, que, embalado pela vitória no Eddie Aikau faz seu retorno após três anos, visando ampliar o já imbatível recorde de seis títulos mundiais.
Os brasileiros, num total de dez atletas, compõem o segundo maior contingente, somente atrás dos australianos, que contam com 21 competidores.
O ”time’ brasileiro alia a experiência de Fábio Gouveia e Teco Padaratz à agressividade de Peterson Rosa e Neco Padaratz e à juventude de Marcelo Nunes e Paulo Moura, que, se não estão entre os favoritos, têm motivos de sobra para fazer uma grande temporada.
Dez
Bernardo Pigmeu, 18, recém-profissionalizado no surfe, destacou-se nas ondas de Pipeline, Havaí, e conquistou uma nota dez na etapa do WQS realizada na semana passada. Bruce Irons, que havia vencido o Pipe Master em dezembro, ficou com o título.
Mais dez
Com uma nota máxima, Adriano Mineirinho, 14, selou sua vitória na segunda etapa do Super Trials -o circuito de acesso do surfe nacional-, disputada em São João da Barra, RJ. Ainda amador, ele se tornou o mais jovem a vencer no Brasileiro profissional e subiu para quarto no ranking.
Prancha nova
Há dez anos em Portugal, o shaper brasileiro Paul Mandacaru é mais conhecido na Europa do que por aqui. Com mais de 10 mil shapes realizados, vai trabalhar no Brasil até o próximo dia 20.
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