Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Começaram essa semana, em Paris, as comemorações do centenário do Tour de France e, com ele, um nome desponta, antes mesmo da largada do sábado, 5 de julho: Lance Armstrong. O americano, tetracampeão da prova, tentará façanha uma vez apenas conquistada: ser pentacampeão (o espanhol Miguel Indurain faturou os títulos de 91 a 95). Mas, claro, como todos sabem, Lance, 31, não será apenas penta, terá sido o primeiro na história a vencer, além de múltiplos ‘Tours’, uma metástase. A saga fica ainda mais hollywoodiana quando se pensa que, antes do câncer, detectado em 96, Lance era apenas um ciclista profissional sem expressivas vitórias. Tour de France? Um sonho distante. Poderia ter vivido assim, ganhando um salário decente para ciclistas profissionais, até se aposentar. Mas queriam os deuses do esporte uma história mais singular. Câncer na próstata, metástase no cérebro e pulmões, vida por um fio. Sobreviver parecia improvável. Voltar a competir, impossível. As sessões de quimioterapia eram tão fortes que várias camadas de músculo e pele foram queimadas e perdidas. Quase sobrenaturalmente, em 1999, os médicos declararam, embora não soubessem muito bem como explicar, que Lance estava livre do câncer. Teria, claro, que fazer uma bateria de exames de seis em seis meses para o resto da vida. Mas, por hora, estava livre. Coube ao ciclista anunciar, meses depois, que iria voltar a competir. Muitos aplaudiram a iniciativa, mas sabiam que ele seria apenas um cara que, tendo vencido o câncer, iria dar umas pedaladas. Em 99, já casado e pai de um filho, estarreceu o mundo ao vencer o Tour. Em 2000, deixou todos boquiabertos ao ser bi. Tri e tetra se seguiram. Claro que se os franceses pudessem escolher um vencedor para o centenário ele não seria um texano de olhos azuis, amigo de Bush. Mas a história dele é suficientemente comovente para que até mesmo os carrancudos franceses consigam aplaudir um eventual pentacampeonato. Chances existem: Lance tem o coração três vezes maior do que o normal, VO2 duas vezes maior do que a média e uma cadência de pedalada que é 20% acima da dos demais ciclistas. Além dessas características, ele adquiriu, por causa do cruel e penoso tratamento, um limite a dor que ultrapassa o da média. Muitos acham que é exatamente essa forte resistência à dor que faz com que ele se destaque dos demais. Tanto assim que, no dia 13 de junho, competindo em uma prova nos Alpes, Lance caiu e abriu o braço em dois lugares. Levou vários pontos, mas se recuperou a tempo de vencer a prova, dois dias depois. Por causa de sua saga hollywoodiana, Lance é hoje sinônimo de força, de sobrevivência, de garra. Sua imagem é usada para os mais variados fins, entre eles, o da luta pelo uso de capacetes entre profissionais – muitos são contra o uso do equipamento, alegando que não é tradicional, diminui a velocidade e esquenta a cabeça. Especula-se que, nesse Tour, Lance vá inovar e, apoiado pela organização, aparecerá, em algumas etapas pelo menos, vestindo um capacete, o que seria feito histórico para o Tour e para o ciclismo profissional. Uma ameaça ao penta é o alemão Jan Ullrich, vencedor em 97 e que ficou afastado por ter sido pego por doping (ecstasy, acreditem). Mas quem, depois de vencer um câncer, vai dar bola para um alemão? O Tour vai de 5 a 27 de julho e as atenções, pelo quinto ano consecutivo, estão em Lance.
Super Surf
Depois que a Abrasp e a Abril Eventos chegaram a um acordo sobre a limpeza, trânsito e vegetação, com a Sociedade de Amigos, começou ontem em Itamambuca, Ubatuba, SP, a terceira etapa do Brasileiro.
Alpinismo
Faltou espaço no Clube Alpino Paulista para a palestra de João Garcia, português que fez o cume do Everest, e sem oxigênio, em 1999, quando teve as extremidades dos dedos e nariz amputados ao tentar resgatar um colega belga.
Wakeboard – X-Games
Depois de conseguir o mais difícil, a vaga, Fabio de La Rosa pode ficar de fora da prova por falta de patrocínio.
Mundial de skate
Começa amanhã na República Tcheca a perna européia que segue para a Inglaterra e Alemanha, com a presença forte de brasileiros, inclusive entre os juízes, com Alê Viana.
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