Por Redação
em 21 de setembro de 2005
‘O que leva uma criança a subir numa árvore ou subir num muro?’
Com essa pergunta, o montanhista Vitor Negrete, 34, respondeu à minha: Por que vocês optaram por um esporte com esse nível de risco? Ele e Rodrigo Ranieri, 32, tornaram-se celebridades após alcançarem o cume do Aconcágua, a maior montanha das Américas, pela face sul.
A conquista dos 6.962 m pelo lado mais difícil, em janeiro, rendeu especial atenção da mídia por três motivos:
1) Eles foram os primeiros brasileiros a chegarem lá;
2) Eles alcançaram o que anos antes um dos maiores alpinistas brasileiros, Mozart Catão, morreu tentando, e outro, Waldemar Niclevicks, tentou algumas vezes;
3) Vitor e Rodrigo, na descida, pelo outro lado, quando a partida já parecia ganha, passaram por maus bocados.
Passado o susto dos dedos semicongelados, a euforia dos desfiles em carro de bombeiros em Campinas e o assédio da mídia, Vitor e Rodrigo se preparam para o Everest, na cordilheira do Himalaia. E pretendem fazê-lo sem uso de oxigênio artificial.
A montanha foi escolhida não só por ser a mais alta (8.850 m), mas também porque as inúmeras e trágicas histórias protagonizadas em suas encostas contribuem para o interesse do público e, assim, para atrair patrocinadores. Hoje, para cada quatro cumes, uma pessoa morre tentando.
Os dois brasileiros são engenheiros formados pela Unicamp, onde o prazer pelas escaladas ganhou dimensão com a criação do Gaia, um grupo de montanhismo.
Vitor é mestre em alimentos e um típico pesquisador acadêmico, que coloca a ideologia à frente da grana. Mais forte, costuma guiar a dupla nas partes em que o aspecto físico é determinante.
Rodrigo estudou computação, mas há 11 anos sua atividade profissional está ligada ao esporte. Casado, pai de um garoto de um ano, ele é o guia da dupla nas passagens mais técnicas. Uma autêntica dupla na qual as diferenças se somam e formam um conjunto unido e eficiente. Polêmicas do tipo quem chegou primeiro não os preocupam: foi a dupla.
Isso leva a outro aspecto de maior relevância no esporte, a ética. Eles não têm a foto da última investida na parede sul. A câmera congelou, mas ninguém contesta. O reconhecimento dos atletas pela comunidade é o maior aval.
No caso do Everest, haverá oxigênio na bagagem para casos de emergência. Não há como lacrá-lo como forma de fiscalização, pois o equipamento tem que ser testado na altitude. Mas não há dúvida, apenas 85 chegaram lá sem uso de oxigênio extra, e eles são bem reconhecidos.
O projeto ”Everest Sem Oxigênio’ planeja levar a dupla à inédita conquista entre abril e maio de 2003. Neste momento eles divulgam o objetivo e procuram patrocinadores. Como em qualquer esporte, estender os limites, buscar recordes e pioneirismo estimulam os propósitos. Para eles, bem preparados física e psicologicamente, isso vale especialmente no aspecto financeiro.
Mas eles já não estão sós. Assim que divulgaram o projeto, outro brasileiro, Waldemar Niclevicks, que em dupla com Mozart chegou ao topo do mundo com oxigênio, lançou projeto similar iniciando uma corrida atrás de investidores. Quanto mais alta a árvore, mais saborosa a carambola.
XXL
O resultado do concurso que oferece US$ 50 mil e um Nissan para o surfista da maior onda da temporada sai hoje na sede da Oakley, nos EUA. Carlos Burle e Eraldo Gueiros estão entre os favoritos.
WQS
Três surfistas brasileiros entre os quatro melhores em Newcastle, Austrália: Paulo Moura (quarto), Victor Ribas (terceiro), que reassumiu a liderança do ranking, e Armando Daltro (segundo). Mick Fanning, campeão da prova em 2000, repetiu a dose. A 11ª etapa começou nesta semana em Margaret River, e no Brasil foi confirmada a realização do Onbongo Pro Surfing, seis estrelas em novembro em Florianópolis, SC.
Super Surf
No próximo dia 24 em Maresias, no litoral norte paulista, começa o circuito brasileiro profissional.
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