FASE ANAL
Temos medo do desconhecido, do abstrato, do gentil, do que subverte pelo gesto de carinho
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Quero engrossar o coro puxado por Gilberto Dimenstein, em artigo publicado Domingo passado.
Lamentavelmente, na maioria dos veículos de comunicação, a participação da prefeita numa sessão de psicodrama junto a candidatos a postos na Guarda Civil Metropolitana, só serviu para gerar trocadilhos e caçoadas que só provam a tese de que estamos realmente na pré-adolescencia enquanto grupo social.
É comum a quem participa desse tipo de estudo da natureza humana, se deparar com os novatos nos grupos, que , defrontados com os próprios medos e dramas existenciais, soltam risadas histéricas, nervosíssimas, numa atitude de defesa desesperada.
É típico também depois das sessões, ouvir nas rodas que se formam entre os menos preparados, comentários piosos sobre como esse tipo de teatrinho não serve para nada. Em geral os protagonistas destas rodinhas são os mesmos que algum tempo depois se derramam em pranto quando resolvem ( ou são impelidos pelo exercício) encarar os bichos que habitam os intestinos cerebrais , os quais até então não conseguiam eliminar, e que geravam as mais terríveis cólicas existenciais
A causa das chacotas, não é apenas a ignorância em estado bruto, como poderia parecer. É também, e em grande medida, a nossa dificuldade em lidar com o ser feminino , quando se livra da condição de submissão e subserviência na qual fazemos de tudo para mantê-lo.
Temos medo do desconhecido, do abstrato, do gentil, do que subverte pelo gesto de carinho.
Gostamos ainda é de coronéis, delegados, padrastos,painhos, ‘figuras do macho que não se presta a essas esquisitices’.
Os pré -adolescentes precisam de limites impostos, de separações nítidas em castas, não gostam de ver pai fazendo função de mãe, de encenações, de arte que não presta prá nada, de patrão dando confiança e interagindo com empregados, precisam das bundas e das banheiras dos domingos na TV, gostam de funk ,das cachorras em trenzinho encochado. Estão na fase oral/anal.
Não querem nem saber de sutilezas, ou dessas ‘viadagens ‘ de teatrinho de psicodrama….
Pobres de nós
BUNDA-LARGA
Falando em pré-adolescencia, talvez nem este grau de maturidade tenhamos atingido no que se refere à prestação de serviços na área de tecnologia de comunicação e telefonia.
Há cerca de quinze dias, venho travando batalha sem trégua contra ferramentas e atendentes de telemarketing.
A primeira luta foi contra as atendentes da Telefonica. Fui derrotado fragorosamente por uma saraivada de gerúndios sem sentido acompanhados por mísseis de indiferença e frieza, até cancelar meu pedido do serviço Speedy.
Na melhor estratégia de guerra, parti para buscar aliados entre os concorrentes daquele que se me colocou como implacável inimigo.
No serviço Virtua da Globo, a coisa começou melhor, com uma pessoa cerebrada fazendo o atendimento, e não apenas lendo respostas em gerúndio impressas na tela de um computador.
Doce ilusão… Pedido feito, data de instalação marcada, recebo em minha secretária eletrônica , mais um exocet de frieza, dizendo que devido a problemas, ‘vamos estar alterando a data’, sem me dar qualquer chance de defesa. Resignado, esperei uma manhã inteira até descobrir dando um telefonema, que não só a data , mas o período do dia também havia mudado, sem qualquer aviso. Tentei cancelar, liguei para o ombudsman (uma gravação que prometeu retorno em 48 horas,o que jamais aconteceu). Quando não havia mais o que fazer, chegaram os tão esperados instaladores. Uma dupla simpática, que lembrava os ídolos teen do grupo Twister, e que de forma resumida, depois de três horas trepando em muros, ligando fios e abrindo meu computador, me entregaram uma declaração por escrito de que não conseguiram instalar o serviço, e que precisariam chamar reforços, que aliás já estavam a caminho. Bem depois, já no começo da noite, chegou um senhor mais experiente, com cara de poucos amigos, que trabalhou mais umas duas ou tres horas, dessa vez armado de um lap top.
Conclusão: Muito tempo investido, nada do serviço e nenhum sucesso na inglória batalha. Apenas mais uma folha de papel com um atestado em homenagem ao meu arrependimento, um modem impotente sobre minha mesa de trabalho, e a sensação de quem não vê a hora de chegar a maioridade.
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