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Everest, acima de tudo

Brasileiro escala todas as faces do teto do mundo

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Desde que o Everest foi conquistado pela primeira vez, em 1953 pelo neozelandês Edmund Hillary e pelo nepalês Tenzing Norgay, 10 mil homens e mulheres já tentaram chegar ao topo do mundo. Desses, apenas 1.200 conseguiram e quase 200 morreram tentando. Só este ano foram seis. E embora o número de expedições comerciais ao melhor estilo ‘pagou-subiu’ (quando os interessados tem direito a carregadores, cozinheiros, oxigênio) esteja aumentando consideravelmente nos últimos anos, o fato é que a escalada até o cume da maior montanha do mundo ainda é tarefa hercúlea, missão para poucos e bem preparados.
Esta temporada foi particularmente longa e dura no Everest (8.850 m). Para o Brasil, foi também marcante, com três equipes independentes na montanha. Um recorde em si só.
Waldemar Niclevicz e Irivan Burda atingiram plenamente o objetivo de sua expedição: chegar ao cume pela face sul (nepalesa), com uso de oxigênio suplementar, e assim comemorar os 10 anos da primeira conquista brasileira, realizada pela face norte (tibetana) pelo próprio Waldemar, em companhia de Mozart Catão, já falecido. Apesar de terem ido pela rota menos difícil, a empreitada foi dura. Waldemar perdeu 11 (!) quilos e se recupera de uma forte infecção na garganta.
Rodrigo Raineri e Vitor Negrete, apoiados por Guilherme (Totó) Setani, tinham o objetivo de, nesta que é sua primeira investida no Himalaia, alcançar o cume pela face norte, sem oxigênio. Não deu. A partir de 8.200 m, ambos passaram a usar as garrafas. Vitor chegou ao cume e Rodrigo desistiu a poucos metros, o que se mostrou uma decisão acertada. Na volta, a barraca que deveria estar a 8.200m, com sacos de dormir, água e comida, havia sido erroneamente desmontada por um carregador e eles só atingiram terreno seguro quase 24 horas depois, o que ocasionou princípios de congelamento em ambos.
Paulo e Helena Coelho tinham um objetivo ainda mais complexo: atingir o cume pela face norte, sem oxigênio suplementar e sem o apoio de carregadores ou guias. Isso implica carregar cargas, montar acampamentos, fazer água e comida, e, principalmente, tomar decisões em um ambiente prá lá de extremo. Chegaram a cerca de 8.200 m e abandonaram o cume, mas não o estilo, purista radical, que já virou marca registrada. Esta foi a sétima (!) tentativa do casal, que já chegou a 8.400 m em uma expedição anterior e promete voltar ano que vem, dando continuidade a esta verdadeira, e pouco noticiada, saga pessoal.
O Brasil fez grandes progressos. Na madrugada do dia 2 de junho, as duas primeiras expedições se encontraram no cume, sem se programar para tanto. Waldemar se tornou o primeiro brasileiro a fazer cume por ambos os lados. Vitor entrou no seletíssimo clube dos 8.000 m pela porta da frente, ou melhor, de cima. Irivan pôs mais um 8.000 em seu currículo. Rodrigo deu mostras de inteligência e maturidade. Totó brilhou no apoio. Paulo e Helena deram uma lição de busca pelo ideal alpino.

NOTAS
ESPORTES DE INVERNO
Isabel Clark, primeiro snowboarder sul-americano a se classificar para uma Olimpíada, foi a grande homenageada na festa de aniversário dos campeonatos brasileiros de esqui (20 anos) e snowboard (10 anos). Com cerca de um metro de neve na base, Valle Nevado abre amanhã, e Las Leñas, onde acontece o Brasileiro este ano, no dia 17.

CORRIDA DE AVENTURA
A Salomon, com apoio no Brasil da Canoar e Half Dome, promovem um circuito com oito provas, sendo sete seletivas e uma final. As etapas serão no Brasil, Chile e Argentina, terão entre 70 e 90 km e três atletas por equipe.

MANOBRA DO BEM
Cerca de 30 internos da Febem participam neste sábado, no Ginásio Baby Barione, São Paulo, de prova de skate que vale uma vaga na equipe amadora da Chili Beans.

PALAVRAS-CHAVE
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