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ESTILO É VOCÊ

uma revista feminina me colocou o desafio: 'o que é estilo?'

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Como que prevendo a avalanche de ‘manuais de estilo’ que algumas senhoras têm lançado no intuito de melhorar o ‘cash flow’ pessoal, uma revista feminina me colocou o desafio: ‘o que é estilo?’ Aí vai a tentativa de resposta de um colunista sem estilo: estilo é personalidade.
Essa talvez tenha sido a primeira vez em que paro para pensar em estilo. O convite a tentar definir o que está por trás desta qualidade me fez prestar
atenção às pessoas que a têm. Minha primeira idéia, por exemplo, foi responder ao desafio usando outra ferramenta de formas bem diferentes da minha uniball Eye micro (é uma caneta mesmo): uma câmara fotográfica.
Acabei, achando que uma página seria pouco para a quantidade de fotos necessárias.
É que estilo está por toda parte, em qualquer pessoa ou coisa que tenha caráter. Personalidade.
Comece a reparar por exemplo, nas pessoas que, mesmo sem ter acesso a grandes marcas de roupas, mesmo sem ser excepcionalmente belas ou ter muito dinheiro, têm a capacidade inquestionável de atrair as outras de forma agradável, natural e não imposta.
As crianças têm estilo. Enquanto vêem o mundo centrado nelas mesmas, não se preocupam com nada, que não seja perseguir o prazer da própria realização.
Vestem qualquer coisa, desde que não atrapalhe seus movimentos e não provoque desconforto e, salvo algumas tristes exceções, são verdadeiros ímãs
de atração pelo próprio estilo.
Loucos, bêbados e andarilhos costumam ter estilo. A falta do que chamamos consciência, muitas vezes faz com que persigam com tal determinação aquilo
em que imaginam acreditar, que acabam por criar em torno de si uma aura de atração e repulsa que mexe com o convencional e acaba interessando de alguma
forma.
As pessoas que têm certeza do que querem, uma certeza quase sobrenatural, têm estilo. O casal de dezoito anos que, contrariando todos os planos dos outros se casa e têm filhos e para chocar ainda mais, continua junto por décadas, têm muito mais estilo que seus colegas que a cada semestre trocam as tatuagens por piercings ou tinturas verdes de cavanhaque.
Quem escolhe e mergulha fundo num esporte ou num tipo de ginástica a partir da própria vontade, da própria vocação, tem muito mais estilo (e, quase sempre consegue melhores resultados) que os devoradores de convenções, palestras, revistas e livros, sempre, nas busca desesperada do último lançamento, do step com turbinas, do tênis com teto solar, do top fluorescente ou do shake que faz crescer os seios em 30 segundos. Quem tem estilo não pergunta. Faz. Quem não tem vai atrás.
Ter estilo é saber querer saber como funciona o próprio corpo, como ele interage com os alimentos, as tensões, os esforços, descobrir o que o faz feliz, que tipo de ação promove a integração do corpo com o espírito. Não ter é fazer com o próprio corpo o que o vídeo da modelo, a dieta da atriz, a aluna mais charmosa ou a fita do Lair Ribeiro mandam que você faça.
Quem constrói tem estilo. Quem descobre uma vocação e a persegue ou mesmo quem passa a vida tentando descobri-la desperta a admiração das pessoas e
passa a definir o que é estilo.
Estilo é escolher. Optar com segurança por um caminho, escolher um mestre, um prato do cardápio, uma mulher, um homem, abrindo mão de todas as outras
opções, mesmo sabendo como poderiam ser saborosas.
É saber ir mais fundo na sua percepção pessoal do mundo. Se você tiver isto
ou apenas tentar, deixará de lado o que quem não tem estilo tenta te empurrar. Se basear em informação, moda, tendências, e mesmo nesta jornal e neste artigo para ter estilo é como ter de entregar as chaves de sua casa à Henri Matarazzo.
É pra quem não tem estilo. Estilo é você.

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