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Espera incerta

O surfe é imprevisível. Não bastasse a pista estar em movimento, o fator meteorológico é determinante.

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Alto verão, o surfista acorda sem pressa – ‘não tem onda mesmo’ -, pega a prancha pequena ‘só para se molhar’ e, quando chega à praia, surpresa: o mar está gigante. Num outro dia, o vento muda repentinamente e põe fim àquela sessão de sonho em minutos. O surfe é mesmo um esporte imprevisível. Não bastasse a pista estar em movimento, o fator meteorológico é determinante.
Para as competições, isso é um transtorno. A fim de minimizar o problema foram criados os campeonatos com período de espera. Aguarda-se a melhor ondulação, vento e maré e a disputa acontece permitindo aos atletas desenvolver todo o seu potencial técnico.
Mas nem sempre funciona. Depois de oito dias aguardando as melhores condições, o Pipe Masters teve início no domingo. Completando 31 anos de existência, este ano a competição não contou pontos para o Tour da ASP como de costume. Perdeu o status de poder definir o campeão mundial – que graças ao bom senso recupera em 2002 -, mas não o glamour de ser a prova mais prestigiada do surfe mundial.
Só para convidados, entre eles campeões mundiais, campeões das edições anteriores, alguns atletas do WCT, muitos havaianos e apenas um brasileiro, Renan Rocha, a prova começou com ondas tubulares de 10 pés abrindo para Pipeline e Backdoor.
Na segunda-feira pela manhã o swell ainda se mantinha, mas foi minguando, e na final as ondas estavam com apenas quatro pés. As condições favoreceram os atletas mais versáteis, que se adaptaram às condições nervosas do início e arrojaram nas manobras quando o mar baixou. Jamie O´Brien, 18, o mais jovem na prova, C. J. Hobgood, recém-coroado campeão mundial, Kelly Slater, cinco vezes vencedor da prova, e Bruce Irons, que despachou o irmão mais velho na semifinal, fizeram a bateria decisiva.
Na prática a disputa se limitou a Slater e Irons. Ambos somaram mais que o dobro de pontos de seus oponentes. A experiência de Slater, finalista em sete das nove edições que disputou, acabou superada pela juventude do havaiano Irons, 21, que realizou seu sonho de infância, ainda que em ondas menores do que as idealizadas.
A centenas de metros da bancada de Pipeline, em Waimea, outro evento aguarda as condições ideais para ter início. Bem mais exigente quanto ao tamanho das ondas, apesar dos três meses de janela de espera, o The Quiksilver in Memory of Eddie Aikau só foi realizado quatro vezes desde que foi criado em 1987.
A prova só acontece com ondas superiores a 20 pés, direção da ondulação e de vento ideal, visando à qualidade da prova e também a segurança dos competidores.
Nos mesmos moldes, mesmo patrocinador e com período de espera ainda maior, o Men Who Ride Mountains, em Maverick´s, Califórnia, EUA, também aguarda um swell épico para sua realização. Criada há dois anos, a prova ainda não falhou. A expectativa é enorme.
Satélites, bóias oceânicas, internet, apesar de toda tecnologia disponível, o componente de incerteza no surfe nunca vai deixar de existir, o que contribui para torná-lo ainda mais atraente.

NOTAS

VANS TRIPLE CROWN
Myles Padaca, 31, mesmo sendo eliminado na primeira fase do Pipe Masters, conquistou a Tríplice Coroa Havaiana. A vitória no Rip Curl em Sunset e o terceiro lugar no G-Shock em Haleiwa, assegurou ao havaiano o título do tradicional mini-circuito, que em 2002 completa 20 anos, e US$ 49 mil.

SUPER TRIALS
Concluídas as últimas provas do ano, Victor Ribas coroou seu retorno à elite nacional do Super Surf, vencendo o circuito de acesso. Campeão nacional em 99, Vitinho teve em 2000 sua pior fase, mas recuperou sua posição no país e também no Mundial para 2002.

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