Trip
Erros e Acertos
em 27 de fevereiro de 2014
Erros
Será que a vida se compõe mesmo de erros e acertos? Temos necessariamente que errar para poder acertar? Não há possibilidade de acertar sem errar? Estamos cruelmente condenados ao erro? Porque erros também tem consequências, e gravíssimas; eu que o diga.
De minha experiência pessoal posso afirmar que aprendi muito mais com meus erros do que com meus acertos. Quando acertava, persistia somente naquele caminho. Não havia porque diversificar; “em time que esta ganhando não se mexe”, é o que parecia mais sensato. Ao contrário, quando errava ficava revivendo e remexendo a todo instante, criando novos enredos, inconformado. Aprendia tangentes, alternativas, novos caminhos, atalhos e buscava enxergar além. Há erros que me assombram há anos, talvez décadas, não os aceito e constantemente estou em briga com eles. Nenhum acerto, que eu saiba, dura tanto; eles não nos impressionam tanto assim, são “favas contadas”. Da mesma maneira que as lembranças da alegria desaparecem no tempo. Quando as recordamos não têm mais aquele brilho e perdem a cor, surgem as sequelas e chegamos a questionar se fomos de fato alegres. As lembranças da dor permanecem secas e duras para sempre. Trazer à mente as recordações de dores sofridas é quase sofrer tudo novamente. Digo isso com propriedade de quem já fez 3 livros auto-biográficos; cerca de 1.200 paginas de memória. Sofri, as vezes até mais agora ao recordar porque posso compreender. A consciência da profundidade das injustiças que cometi contra os outros foi impactante. Doeu muito ver a mim mesmo como um bicho, um animal, uma fera. Depois surgiram os erros que cometi contra mim mesmo e só depois a dor e o sofrimento que os outros me impuseram. As humilhações ainda são muito sofridas para serem lembradas. Há coisas que não estão nos livros porque eu não consigo encará-las de frente. Outras a editora pediu para cortar porque seria um massacre do leitor, o livro ficaria pesado demais para ser lido. Acho que vou morrer com elas entaladas na garganta.
Não consigo responder a essas questões. Não dá para explicar para mim mesmo porque tantos erros e tão poucos acertos. Às vezes a vida me parece bem cruel. Mas sei que não é, não pode ser porque, ainda assim, vivemos momentos da mais intensa felicidade e alegria. Até podemos trabalhar, lutar por isso que muitas vezes dá certo. Apenas passo minhas informações pessoais sem definir nada e as deixo em aberto para quem queira responder.
**
Luiz Mendes
27/02/2014.
LEIA TAMBÉM
MAIS LIDAS
-
Trip
Bruce Springsteen “mata o pai” e vai ao cinema
-
Trip
O que a cannabis pode fazer pelo Alzheimer?
-
Trip
Entrevista com Rodrigo Pimentel nas Páginas Negras
-
Trip
5 artistas que o brasileiro ama odiar
-
Trip
Um dedo de discórdia
-
Trip
A primeira entrevista do traficante Marcinho VP em Bangu
-
Trip
A ressurreição de Grilo