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ENFIM UMA LUZ!

Leia a opinião de um leitor sobre a coluna ' O Ataque das Lâmpadas-Furúnculo,'da semana passada

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Não são poucos os e-mails que recebo por conta dos textos publicados aqui toda semana. Tenho conseguido responder à maioria, mas em nome da atenção dispensada pelos leitores a temas que para muita gente podem parecer dispensáveis ,diante das últimas visitas que levaram bolo Pullman ao juiz Lalau ou do casamento de Fábio Jr., senti vontade de publicar, incluindo resposta, a carta enviada pela web pelo prof. Marcelo, que, como ficará claro a seguir, é uma daquelas pessoas que fazem o Brasil avançar, apesar de tanta competência demonstrada por tantos outros no sentido contrário.

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Prezado Paulo Lima
Sou seu leitor semanal no JT e ocasional na TRIP. Gostaria de fazer alguns comentários sobre seu texto desta última terça-feira. As lâmpadas-furúnculo (PL) podem proporcionar uma iluminação não muito agradável. Entretanto, elas são muito mais eficientes do ponto de vista energético do que as lâmpadas incandescentes. Estas últimas geram uma potência de 100 Watts, mas gastam 80 Watts gerando calor. Uma PL de 15 Watts é aproximadamente equivalente a uma incandescente de 100 W. Na minha opinião, a economia de energia é uma justificativa muito forte para a aposentadoria, ao menos parcial, das lâmpadas incandescentes.
Se for considerada a geração de energia por fontes alternativas (solar, eólica, marés, ondas, etc), o uso de equipamentos mais eficientes passa a ser praticamente obrigatório. Estas fontes de energia ainda não permitem a geração de elevadas potências, assim o uso de equipamentos mais eficientes permite que mais pessoas sejam beneficiadas com energia elétrica. Os valores que forneci acima permitem chegar a esta conclusão. Concordo com você que é vergonhoso o uso que fazemos destas fontes alternativas, principalmente em certas regiões do país onde elas atenderiam de forma bem adequada o consumo existente.
Concordo que os projetos de iluminação não são bem feitos. Há pouco uso da iluminação natural. Pior ainda é o condicionamento de ar. Existem prédios que só são habitáveis ao custo de altíssimas potências de ar refrigerado, tudo por causa de um mau projeto de engenharia/arquitetura. Algumas coisas têm melhorado, embora às vezes não se perceba. As razões para estes projetos malfeitos ou inadequados são muitas e este e-mail ficaria muito longo se eu fosse enumerar algumas das minhas opiniões. Por fim, parabéns por escrever na tua coluna sobre temas que nem sempre a gente encontra na ‘grande imprensa’, a despeito de serem muito importantes
Até a próxima….
Prof. Marcelo A. L. Alves
Depto de Engenharia Mecânica, Escola Politécnica, Universidade de São Paulo

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Marcelo,
Agradeço muito seu atencioso e super esclarecedor e-mail. Já sabia da economia importante gerada pelas novas lâmpadas, mas não conhecia estes detalhes. Realmente, dá medo de ver estes prédios supostamente modernos, forrados de vidros espelhados, escuros e insuportavelmente quentes por dentro.
O que penso é que a discussão deve ser levada também para o campo existencial, além do pragmático e do científico. O que será que acontece com nossos sentimentos como carinho, paz de espírito, solidariedade e outras coisas boas, se formos submetidos a ambientes mais feios, hostis e diferentes dos naturais? Será que vale a pena ter acesso à tecnologia, se ela não nos fizer melhores pessoas? Sei também que para uma pessoa que vivia na escuridão e de repente passa a ter o conforto da luz elétrica, este papo de tipo de lâmpada pode soar ridículo, mas Deus com certeza mora nos detalhes mais simples e sutis (provavelmente, um lugar muito iluminado).
Acho que as lâmpadas incandescentes geram calor também na alma, lembram a luz das velas, fogo, dos finais de tarde, não sei… Não sou exatamente o que se pode chamar de um sujeito esotérico, mas sempre procuro achar um meio termo razoável entre a razão e aquilo que não é tão fácil de entender, uma visão de mundo que aliás notei no seu e-mail também. Que bom que você tem gostado dos assuntos que escolho.
Um grande e agradecido abraço,
Paulo

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