Elevador Social
O jornalista Mário Mendes responde: negro que tem sucesso na profissão sofre mais preconceito?
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Um negro que tem sucesso na profissão sofre mais preconceito? Desde que minha irmã e eu éramos crianças, meu pai deixou bem claro que o preconceito nos atinge e se instala na medida em que permitimos e que a identidade racial não determina nada em nossas vidas, além da cor da pele e do tipo de cabelo. Portanto, todo mundo é igual e com os mesmos direitos e deveres diante da sociedade. Ele era totalmente avesso a discursos de orgulho racial e exaltações étnicas, que encarava como coisa de gente bronqueada. Desde sempre eu aprendi a me defender do preconceito e não acatei as imposições dos pequenos poderes do cotidiano. Por exemplo, sou do tempo da entrada de serviço e, mais de uma vez, ouvi de porteiro de prédio pra pegar o elevador de serviço. Mas olhava bem pra cara dele e subia pelo social. Sem dúvida, fui atraído pelo jornalismo pela diversidade dos envolvidos, dos assuntos às pessoas. E, não, não acho que um negro que consegue ter sucesso na profissão sofra menos ou mais preconceito, desde que ele se paute pelos resultados de seu trabalho e não para provar alguma coisa a alguém ou se tornar algo que não é. Sucesso e dinheiro não embranquecem ninguém. Como dizia minha bisavó: “Passou de seis e meia é boa noite”. Um negro bem-sucedido na sua profissão, na minha opinião, deve ficar mais atento à inveja, que é pior do que qualquer preconceito.”
Mario Mendes, 54 anos, jornalista, dirigiu revistas da Trip Editora e hoje é editor na revista Veja
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