por Fernanda Danelon

Descubra quem serão os 13 homenageados da quarta edição do Prêmio Trip Transformadores


Fernando Meirelles, Jorge Gerdau, José Júnior, Ivaldo Bertazzo, Cristovão Tezza, Padre Jaime, Monja Coen, Lelé, Romário, Chimbinha e Joelma. Nos últimos quatro anos, brasileiros de perfis assim tão diversos foram homenageados com o Prêmio Trip Transformadores.

Em comum, o fato de todos serem agentes de transformação, gente que não se conforma com a lógica egoísta do nosso dia-a-dia, em geral mais preocupada em acumular riqueza do que em garantir um futuro melhor para todos nós. Os ganhadores são pessoas que encabeçam iniciativas que apontam tendências e modificam realidades, ajudando a tornar o Brasil um país melhor. E é justamente essa a ideia do prêmio: dar projeção a esses profissionais, escolhidos cada um deles por personificarem os 12 temas considerados essenciais e que norteiam as edições da Trip.

Conheça os 13 homenageados da quarta edição. São 11 indicações individuais e uma em dupla. Você também pode acompanhar as novidades sobre o prêmioaqui. Mais: serão promovidos encontros entre os escolhidos, permitindo uma troca de experiência inédita entre pessoas de cotidianos diferentes, mas com um ponto de vista primordial em comum. A grande premiação será no próximo dia 27 de outubro, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo.

 

Lia Diskin

Lia Diskin é o apelido de Leonor Beatriz Diskin Pawlowicz. Nascida na Argentina e radicada no Brasil, Lia é escritora, conferencista e coordenadora do Comitê Paulista para a Década de Paz - programa das Nações Unidas para a disseminação da cultura de paz. A jornalista de 59 anos, responsável pelas visitas do Dalai Lama ao Brasil, defende uma educação baseada em novos paradigmas, que promova a cidadania e valorize outros saberes que não apenas o técnico. "Queremos desenvolver o que chamo de ‘cidadania planetária', um senso de comunidade ampliada", afirma. Ao lado do marido, Basílio, Lia fugiu da ditadura em seu país natal e aqui fundou um centro de acolhimento de crianças órfãs e também a Associação Palas Athena, que organiza programas culturais e socioeducativos.

Vai lá: www.palasathena.org

 


Kaká Werá

Kaká Werá Jecupé, de 46 anos, é um índio de origem tapuia que nasceu em São Paulo, para onde seus pais migraram, vindos do interior de Minas Gerais. Escritor, ambientalista e conferencista, há 20 anos Kaká dirige o Instituto Arapoty, organização que difunde os valores da cultura indígena. Com o apoio do Ministério da Cultura, transforma jovens de Itapecerica da Serra (Grande São Paulo) em agentes culturais. Kaká leva a sabedoria dos povos ancestrais aos mais diversos lugares, de aldeias nos confins da Amazônia a auditórios ao norte do Equador. "Ter nascido fora da aldeia me ajudou a promover o intercâmbio entre brancos e índios", diz Kaká, autor dos livros A Terra dos Mil Povos - História Indígena do Brasil Contada por um Índio e As Fabulosas Fábulas de Iauaretê (Editora Peirópolis).

Vai lá: http://institutoarapoty.ning.com

 


Raí

O craque de 45 anos dispensa apresentações. Conhecido mundialmente, Raí acumula, entre outros, os títulos de campeão do mundo com o Brasil na Copa de 94, campeão francês pelo Paris Saint German e campeão mundial pelo São Paulo, seu time do coração. No entanto, nos últimos dez anos, desde que parou de jogar profissionalmente, Raí tem emplacado gols em outros campos. Agora usa o esporte como forma de inclusão social. Fundada há 12 anos por Raí e pelo também jogador Leonardo, a Gol de Letra é reconhecida pela Unesco como instituição-modelo. Com unidades em São Paulo e Rio de Janeiro, desenvolve programas de educação integral para mais de 1.200 crianças por ano. Em 2008, criou a ONG Atletas pela Cidadania, que pretende colocar no mercado de trabalho jovens aprendizes.

Vai lá: www.goldeletra.org.br

 



Vik Muniz

Radicado em Nova York, o artista plástico paulistano Vik Muniz, 49 anos, tem obras espalhadas por museus ao redor do mundo. Ele sempre volta ao Brasil para desenvolver trabalhos com renda totalmente revertida a projetos sociais. Na série "Imagens de Lixo", Vik juntou-se aos catadores do lixão Jardim Gramacho, no Rio, na tarefa de revirar as montanhas de entulho e reaproveitar objetos. A série inspirou a abertura da nova novela da Globo, Passione, que mostra três instalações do artista feitas de reciclagem de lixo. Essas obras serão leiloadas, e a renda, revertida para projetos em comunidades carentes. Muniz também é fundador do Instituto Centro Espacial, que dá aulas de arte para jovens cariocas. Uma sala construída junto ao galpão de aulas abriga artistas visitantes (brasileiros e estrangeiros) convidados para compartilhar com os alunos suas técnicas de pintura, escultura, fotografia e instalações.

Vai lá: www.vikmuniz.net

 



Sérgio Vaz

Foi o pai de Sérgio, 45 anos, que o ensinou a amar os livros. A casa humilde da periferia paulistana guardava estantes com obras da literatura estrangeira e nacional. O menino que cresceu sonhando em ser jogador de futebol acabou por tornar-se autodidata e descobriu o poder de transformação na literatura e, em especial, na poesia. Decidiu multiplicar sua experiência pessoal e criou os famosos saraus da Cooperifa no boteco do Zé Batidão, em Piraporinha, na zona sul de São Paulo. "A pessoa vai lapidando a poesia; e a poesia vai lapidando a pessoa", explica Sérgio, sobre o efeito dos saraus na população local. Com um público que passa de 500 pessoas por noite, o evento atrai não só a comunidade local, mas também artistas, intelectuais e empresários de fora. Escritor, poeta e produtor cultural, Sérgio desenvolveu ainda o Cinema na Laje, que organiza exibições populares de filmes.

Vai lá: www.colecionadordepedras.blogspot.com

 



Ana Primavesi

Precursora da agroecologia no Brasil, a Dra. Primavesi, como é conhecida, estudou agronomia em Viena, na Áustria, onde nasceu. Chegou ao Brasil após a Segunda Guerra. Aos 90 anos, já formou quatro gerações de profissionais das ciências agrárias, quebrando paradigmas da agroindústria. Para ela, a simples conservação de um solo permeável basta para gerar uma plantação saudável, sem a necessidade de agrotóxicos. "A monocultura nos trouxe uma avalanche de doenças aplacadas por agrotóxicos", alerta. Fundadora da AAO (Associação de Agricultura Orgânica) em São Paulo, a agrônoma é incentivadora da Feira do Produtor Orgânico do parque da Água Branca, onde os agricultores vendem seus produtos diretamente ao consumidor, sem intermediários.

Vai lá: www.aao.org.br

 



Rubem Cesar

Rubem Cesar é fundador do Viva Rio, organização não governamental engajada em pesquisa, trabalho de campo e formulação de políticas públicas para promover a paz e o desenvolvimento social. Desde os anos 80, quando voltou do exílio político, o antropólogo de 67 anos tem se dedicado, entre outras atividades, à realização de campanhas para arrecadar e distribuir donativos para os desabrigados do terremoto do Haiti e das chuvas do início do ano em Niterói, sua cidade natal. Muitas das ações criadas pelo Viva Rio, fundado no Rio de Janeiro em 1993, tornaram-se políticas reproduzidas pelo Estado, pelo mercado e até por outras ONGs. Rubem Cesar também está à frente da Comissão Brasileira de Drogas e Democracia, defendendo uma nova legislação que descriminalize o usuário, a fim de romper com o ciclo de tráfico e violência.

Vai lá:www.vivario.org.br

 



Reinaldo Pamponet

Ex-executivo da Microsoft que participou da implementação da internet no Brasil, Reinaldo recusou uma promoção na multinacional para fundar, em 2003, o Instituto Eletrocooperativa, com sede em Salvador. Em um portal na internet, o baiano Reinaldo, de 39 anos, desenvolveu um método inédito que explora novos meios de geração e distribuição de renda por meio da tecnologia digital. Com as "Chamadas criativas" - desafios propostos ao internauta -, a Eletrocooperativa convida jovens de todo o país a desenvolver conteúdo audiovisual (músicas, vídeos, programas de rádio, podcasts, fotografias, ilustrações, cartazes e textos), e os melhores são remunerados. Hoje, já são mais de 3.000 jovens trabalhando em rede. Recentemente, a Eletrocooperativa estendeu suas atividades para outros países, tornando-se uma rede internacional, agora com novo nome: It´s Noon.

Vai lá: www.itsnoon.net/eletrocooperativa

 



Luiz Fernando e Guido Lemos

Luiz Fernando Gomes Soares, de 56 anos, e Guido Lemos de Souza Filho, 44, são os engenheiros da computação que desenvolveram o Ginga, plataforma que gerenciará as funções interativas da TV digital no Brasil e deverá ser adotada por outros países do mundo. É um produto nacional, desenvolvido em plataforma aberta, com disponibilização de softwares livre de direito autoral, o que permitirá uma produção mais barata e colaborativa. O Ginga foi desenvolvido pelo Laboratório TeleMídia da PUC-Rio em parceria com o LAVID Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Além disso, conta com a colaboração de mais de dez mil pessoas trabalhando em rede para seu desenvolvimento contínuo. Já foi adotado como padrão pelo Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTD) e em mais 10 países, além de ser a tecnologia adotada pela União Internacional de Telecomunicações (UIT).

Vai lá: www.telemidia.puc-rio.br e www.lavid.ufpb.br

 



Nair Benedicto

Pioneira no fotojornalismo brasileiro, Nair escolheu dar voz às minorias, propondo temas como o preconceito e a violência contra a mulher, o homossexual, o menor de rua e o índio. A obra de viés político da fotógrafa paulistana de 70 anos integra os acervos dos museus de arte moderna do Rio de Janeiro (MAM), e de Nova York (MoMa), entre outros. Nair foi delegada da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) em 1988 e 1989, depois de ter se engajado na militância durante a ditadura, ser presa e torturada. "Acredito no poder transformador da fotografia. Por meio dela, procuro chamar a atenção para questões que considero relevantes à sociedade", afirma.

Vai lá: www.n-imagens.com.br

 



Alemberg Quindins

Francisco Alemberg de Souza Lima, o Alemberg Quindins, de 35 anos, criou um grande centro cultural para as crianças de Nova Olinda, no sertão do Ceará. A Fundação Casa Grande - Memorial do Homem Kariri nasceu em 1992 com o intuito de resgatar a memória do povo da região, o Vale do Cariri, e ser um centro de memória: "Nós resgatamos a cultura local nas áreas de arqueologia, mitologia, artes e comunicação", conta Alemberg. Os alunos mantêm um canal de TV, de rádio, uma editora de gibis e um museu que conta com um rico acervo de 2.600 HQs e 1.600 títulos de clássicos do cinema. A ideia é desenvolver a capacidade de liderança das crianças a partir dos laboratórios de produção.

Vai lá: www.fundacaocasagrande.org.br

 



Marcelo Andrade

O ativista ambiental é o único brasileiro destacado como um dos visionários de nossos tempos no livro The True Visionaires of Our Times, do jornalista alemão Martin Haeusler. Natural de Belo Horizonte, Marcelo, de 52 anos, criou a Pro-Natura em 1986 e tornou-se um dos pioneiros do país na defesa do desenvolvimento sustentável. Ele trabalha na resolução de conflitos e no desenvolvimento econômico em comunidades pobres e marginalizadas, como as ribeirinhas da Amazônia ou as vilas de mineração na Nigéria. Hoje a Pro-Natura atua em 57 países, ajudando na conservação da biodiversidade por meio de projetos de gestão sustentável, em parcerias com poder público, privado e sociedade civil.

Vai lá: www.pronatura.org

 

 

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