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Efeito moral

Editor do site NY 24 horas comenta a cena mais chocante que qualquer nova-iorquino poderia viver

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Assistir ao colapso das duas torres do World Trade Center é a cena mais chocante que qualquer nova-iorquino poderia viver. O complexo de prédios que era o maior símbolo da cidade fazia parte do dia-a-dia de milhares de pessoas que trabalhavam no local, mas também de milhões de outras pessoas, por conta de sua visibilidade e proximidade a algumas das vizinhanças mais freqüentadas de Manhattan.

É claro que é impossível dimensionar a tristeza e o choque dos parentes e amigos das vítimas do atentado, mas o efeito moral vai muito além. Ver a cidade transformada em um campo de guerra parece ter causado uma reação muito maior do que a esperada – mesmo depois dos inúmeros filmes-catástrofe que foram feitos ao longo dos anos e da experiência do atentado terrorista ao World Trade Center em 1993.

As cenas de treinamento das brigadas especiais para ataques biológicos – amplamente divulgadas na TV a partir de 1998 – viraram realidade da maneira mais assustadora possível.

A sensação de isolamento causada pela interrupção dos serviços de metrô e o fechamento de todas as pontes e túneis de acesso a Manhattan deve ser o mais próximo que os nova-iorquinos desta geração já estiveram de uma situação de calamidade pública.

A visão das ruas vazias da região do Financial District ao meio-dia, horário em que a movimentação atinge seu pico, é desconcertante. A ansiedade das pessoas por notícias e por dividir o choque com conhecidos ou desconhecidos gera uma sensação difícil de ser descrita.

Nas ruas, a sensação de ameaça a pessoas conhecidas e parentes ganha novas dimensões, por conta da movimentação de carros, ambulâncias e postos para atendimento das vítimas que seguem a pé. O apelo do prefeito Rudolph Giuliani para que as pessoas continuem evacuando todo o sul de Manhattan reforça o medo de novas tentativas de ataque.

Se na segunda metade da década de 90, quando os responsáveis pelo atentado de 1993 eram julgados, as barricadas permanentes instaladas na prefeitura de Nova York e a segurança reforçada no World Trade Center geravam um clima de desconforto na população – e principalmente nos moradores do Financial District -, os eventos de agora decretam o fim da cidade como ela costumava ser. Ninguém em Nova York vai conseguir dormir tranqüilo.

GUTO BARRA é editor do site www.ny24h.com

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