Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Numa manhã chuvosa de outubro de 2 000, quando era repórter da TRIP levei os ingleses do Morcheeba para um rolê nas galerias do centro de SP em busca de vinis de música brasileira obscura da década de 60. Skye, Paul Godfrey – Compro discos apenas pela aparência da capa – e seu irmão Ross – Discos lançados entre 1968 e 1974, com capa boa, compro todos – costumam gastar mais de R$ 2 mil por mês só em vinil. Ir às compras de bolso cheio nas galerias do centro é satisfação garantida. Saldo: R$ 1 280 gastos em 34 discos em duas horas de compras. O resultado: Charango, o novo disco do grupo, está carregado de influências brasucas e uma das faixas tem o nome da cidade que chocou os ingleses, São Paulo. De Londres, o Morcheeba falou à TRIP sobre o novo disco, música brasileira e as impressões da cidade um ano e meio depois da antológica tour. Leia abaixo um papo com os caras feito pelo repórter Oliver Redfern. (Endrigo Chiri Braz)
TRIP Qual é a história por trás da música São Paulo?
SKYE Quando começamos a promover o último álbum, nossa gravadora planejou uma visita ao Rio. Quando chegamos ao Brasil, fomos parar em São Paulo. As nossas primeiras impressões da cidade foram as favelas para todos os lados e o céu nublado. Mas não quisemos ofender ninguém com a canção!
ROSS Nunca tínhamos ido a um país em desenvolvimento. Então foi um choque quando vimos as favelas, embora recentemente eu tenha ido ao Vietnã – e Hanoi faz São Paulo parecer Las Vegas
PAUL Gravamos São Paulo porque ficamos muito frustrados quando estivemos lá. Ficávamos sentados por 4 horas no trânsito da cidade e acabamos não vendo quase nada. Mas gostamos muito de conhecer a galeria do rock.
TRIP E vocês compraram discos brasileiros durante uma visita à galeria com a reportagem da TRIP, não?
SKYE Compramos discos nos baseando nas capas e nos anos em que tinham sido lançados. Levamos Mutantes, Raul Seixas. Quando voltei para a Inglaterra, eu comprei um CD dos Mutantes, não me lembro do título. Um de capa branca e designs coloridos [Techinicolor].
ROSS Nós compramos bastante Gal Costa, Joyce, Tom Zé e uma banda de rock com quatro caras. Como eles se chamam? Ramandos?
TRIP Raimundos?
ROSS Isso! Não sabíamos como seriam os álbuns, mas as capas eram demais. Achei interessante como a percussão dos Mutantes e de outros grupos do Tropicalismo era excitante em canções que de outra forma seriam apenas rock californiano dos anos sessenta. Era mais excitante que ouvir os Beatles com o Ringo! Era como ouvir os Beatles com incrível percussão.
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