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E Soa o Gonzo!

por Arthur Veríssimo, de Roppongi, Japão

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Você considera Sebastião Salgado um puta fotógrafo ou só um aproveitador de desesperados? Canonizado pela maioria dos brasileiros e público internacional, Salgado, de vaca sagrada, está se transformando em bezerrão na farra do boi. Seus detratores o acusam de falsificar a pobreza e se enriquecer com a desgraça terminal. Eis um fragmento de artigo do grande Ivan Lessa, que saiu no jornal Valor: Sebastião Salgado descobriu aquilo que todos nós desconfiamos: pobre, dependendo da iluminação e do ângulo, dá um dinheirão. Outros críticos caem matando contra o genial fotógrafo – como Agamenon Mendes Pedreira, que chamou o cara de Kojak da Kodak (O Globo, 25-6). Salgado contrataca: Os que me criticam agem como se a linguagem fotográfica não fosse uma linguagem formal. O fato de imaginar que uma fotografia de um fato social tenha de ser brutal só leva o observador a evitar aquela realidade. É por ser interessante, bem-feita e com boa composição que os espectadores são levados a viajar dentro dela, complementa o mestre para a maioria – e ixperrto para alguns. Qual é a sua opinião?

Meia boca
Antes de sair de São Paulo, estive na Mostra do Redescobrimento, no Ibirapuera. A badalação instigou milhares a visitarem o evento. Mas, na tarde em que fui, o preço do ingresso (R$ 15) me deixou assustado. Como o carinha ou a menina que rala no trampo e se enforca com o orçamento pode pagar aquela verba? Não entendo como os organizadores, qual feitores feudais, sugam o pobre dinheirinho do povo. Visitei a Oca instalada na fabulosa obra de Oscar Niemeyer. Peças, cocares, mantos, instrumentos e outros objetos inacreditáveis dos índios ancestrais na Terra do Pau-Brasil. Faltaram detalhes imprescindíveis: localização das tribos, procedência da época dos objetos, mapas indicativos etc. O que tinha era o nome do pesquisador e antropólogo que encontraram as peças, juntamente com o museu proprietário dos ícones (50% gringos). Por sorte, o espírito da floresta resplandece no fabuloso acervo do Museu Emílio Goeldi em Belém do Pará. Curadores: queremos ingressos baratos e informações corretas, sem antropologuês e difilcultez!

Finalizo esta breve coluna embalado pela faixa Daddy Went Wakin, da última obra do guru Neil Young, Silver and Gold. Cheio de energia, estou pronto para cair na night ultra-cool de Tóquio. Até!

(e-mail do Arthur: agav@sti.com.br)

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