Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Um painel, se eu não me engano, no Posto 5 de Copacabana e assinado por Millôr Fernandes, exalta o frescobol como o único esporte no qual não existe competição e sim interação entre os praticantes.
Mas seguramente o frescobol não é o único esporte a deixar o aspecto competitivo em segundo plano. Os puristas do surfe seguem contrários às disputas e aos critérios que envolvem os campeonatos. No big surfe, isso é ainda mais ouvido e o maior expoente da modalidade, Laird Hamilton, é o maior defensor do surfe livre, mesmo tentado pelos vultuosos prêmios hoje oferecidos nas provas de ondas grandes.
Conjecturas à parte, começou ontem em Snapper Rocks, na Gold Coast, Austrália, a disputa do Tour 2003 do WCT, a principal divisão do surfe mundial. Nos últimos anos o circuito vem sendo reestruturado visando oferecer aos melhores surfistas do mundo as melhores ondas e os maiores prêmios.
Em 2001 as expectativas foram frustadas pelos atentados de 11 de setembro, mas em 2002 o circuito finalmente atingiu os objetivos. Chamado de Dream Tour, foi realizado nas mais consistentes e perfeitas ondas do planeta e distribuiu US$ 3 milhões em prêmios.
E a temporada que se inicia tem tudo para ser ainda melhor, apesar da volta da etapa japonesa, sempre fraca de ondas, e do ainda incerto encerramento do circuito em Pipeline, prova que ainda depende de patrocinador.
A expectativa em torno da etapa de abertura é grande. O bombeamento de areia feito nas praias da região emendou o fundo de Snapper Rocks ao de Kirra e, dependendo do swell, o Quiksilver Pro pode ser realizado com as ondas mais longas de todo o circuito.
Como o período de espera da prova vai até o dia 16, o evento é móvel e um profundo conhecedor daquelas ondas, o bicampeão mundial Tom Carroll, na condição de diretor do evento, é quem irá definir quando e onde os melhores do mundo irão para a água, é possível uma grande abertura.
Se para os homens as condições ainda não estão as ideais, para as mulheres as baterias do Roxy Pro, que acontece simultaneamente, já estão rolando. Em ondas de 1 m, numa bateria que envolveu 10 títulos mundiais, a pentacampeã Layne Beachley derrotou a campeã de 93 Pauline Menczer e mandou para a repescagem sua maior rival, a tetracampeã Lisa Andersen. E a brasileira Jaqueline Silva, atual vice-campeã mundial, passou a primeira fase e hoje disputa uma vaga para as quartas-de-final.
O Brasil, com nove atletas, repete este ano o segundo maior contingente do Tour, atrás dos dominantes australianos, que contam com 24 surfistas, e à frente dos americanos, com oito, e havaianos, com quatro, ?times? que, apesar da integração do Havaí como estado americano desde 1959, no atlas do surfe mundial continuam separados.
Entre os brasileiros, a única autêntica novidade é Danilo Costa, que, depois de anos tentando e chegando perto, finalmente entrou na elite. E as maiores atenções se voltam para Peterson Rosa e Neco Padaratz, que por análises distintas foram nossos maiores destaques nas últimas temporadas.
Peterson não esconde que seu grande objetivo é brigar pelo título, enquanto Neco, mais cauteloso, capitula: ?Esse é o objetivo de todos que estão na elite. Só posso dizer que estou treinando bastante, mas a temporada é longa e o nosso esporte é difícil de prever. Mas é claro que eu gostaria de realizar este sonho?.
Para o hexacampeão Kelly Slater, surfar na Gold Coast é comparável em adrenalina e prazer ao fazê-lo no Havaí, com a vantagem de não pôr sua vida em risco. Exageros à parte, provavelmente motivados para satisfazer os interesses do seu patrocinador, o mesmo que patrocina a etapa, a abertura do circuito 2003 deverá ser empolgante.
Mundial de Longboard
Duas etapas qualificatórias devem acontecer no Brasil, uma em Maresias (SP) e outra em Saquarema (RJ), e a final pode acontecer no Peru entre 28 de julho e 8 de agosto. As etapas distribuirão US$ 20 mil em prêmios.
Snowboard
Melhor brasileiro no half-pipe e boardercross, Felipe Motta competiu no fim de semana no Big White, no Canadá, visando treinar e conquistar pontos para os Jogos de Inverno de Turim, em 2006.
Skateboard Seguro
Tradicional ponto de surfe nordestino, Porto de Galinhas (PE) terá a partir de sábado um skate park com 600 m2 bem ao lado do posto policial.
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