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Conto sobre ataque de ratos real

Por Luiz Alberto Mendes

em 28 de junho de 2010

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Acabo  com  eles!

 

Madrugada fria de doer, acordo com barulho estranho. Vinha do banheiro, algo a ver com água. Pé ante pé, tentando não fazer barulho, ainda meio que dormindo cheguei e acendi a luz repentinamente. Lá estava, dentro da privada tentando pular para o banheiro, um rato enorme. E me olhava com aqueles olhinhos que me pareciam maus e agitados, na hora. Não era feio, não parecia com as ratazanas pretas que corriam atrás dos gatos na Penitenciária do Estado. Nariz comprido, orelhinhas, patas curtas, todo peludinho; mais parecia bicho de pelúcia. Vinha pelo encanamento do esgoto. Tentava subir, mas deslizava e caia na água.

A princípio fiquei olhando, sem reação. Na mente passava a idéia de estar ali sentado fazendo qualquer coisa e aquele bichão viesse por baixo. Estremeci. Imediatamente apanhei o rodo e, com toda força, enfiei a ponta do cabo no danado. Ele saltava e lutava com o cabo, mordendo. Quase vinha junto quando eu puxava.

Ele estava me tirando: ficava na ponta dos pés com metade do corpo na água, me encarando desafiador. A covardia era toda minha. Mas não creio que alguém ia por a cara com aquele bichão sem estar armado. Se eu tivesse uma metralhadora sentava o dedo no gatilho até esgotar a munição. Mas teve uma hora que prevaleceu a lei do mais forte (bem, imagino seja eu, muito embora…) e peguei firme. Senti que o acertei no meio, afundando-o. Ele me fixou, guinchou alto e fugiu da briga pelo encanamento do esgoto. Dei descarga e fui deitar novamente. Estava satisfeito: havia ferido o inimigo.

Não demorou. Maior barulho na cozinha. Levantei e, sem acender a luz, desci as escadas com todos os sensores ligados. Pensei em encontrar parceiros do ratão. Acendi a luz, mexi daqui e dali, movi o fogão, a geladeira, o guarda-comida, em tudo, e nada. Subi. Foi pegar no sono e novamente o mesmo barulho. Seria lá fora? Desci, acendi a luz e abri a porta. O barulho parou e nada no quintal. O cão dormia em sua casinha. Acordei-o. Tinha que ficar a postos, afinal de contas ele quem era o cão de guarda, não eu.

Subi, nem cheguei a dormir e novamente. Dessa vez foi demais. Desci a fim de resolver aquela parada de uma vez por todas. Fosse o que fosse agora era pessoal. Desci já com a vassoura na mão. O barulho, dessa vez, continuou. Fui olhar no saco de rações e lá estava o danadinho me olhando. Só que esse era pequenino, pouco maior que camundongo. Não tive dúvidas: Fechei o saco, coloquei no chão e malhei com raiva. Quebrei a vassoura no saco. Aquele atrevido não me deixava dormir e ainda comia a ração de meu cão. Abri o saco e ele saiu, todo tonto e avariado. Sentei o pau nele sem só. Esmaguei.

Fui para a cama satisfeito. Não houve mais barulho, mas eu já havia pedido o sono. De manhã cedo quando abri o saco da ração para alimentar o cão, quase tomei uma mordida. Havia outro rato lá dentro, e dos grandes. Estava machucado, mas vivo e querendo briga. Não dei chances. Covardemente esmaguei-o com um peso que tenho aqui para fazer ginástica. Virou pasta. Sorri; mais uma vez havia vencido.

Fomos procurar o lugar que eles entraram no quintal. Aquilo era uma invasão inesperada, nunca acontecera. O buraco era perto do tanque de lavar roupa. O ratão que brigou comigo na privada estava lá, caído. Enfiei o cabo da vassoura sem dó e acabei de matar.

Fechei o buraco e fiz a contagem: 3 para mim. Eles ganharam o sono que perdi e o medo que estou de usar a privada à noite. Ficou oculta uma ligeira impressão de que eles saíram na vantagem. Espero represálias à noite. Mas dessa vez eles vão ver: estou armado até os dentes, com extintor de incêndio e tudo; acabo com eles!

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Luiz Mendes

28/06/2010.

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