Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Pela primeira vez na história do surfe um atleta é suspenso por doping, e, infelizmente, o protagonista do caso é o brasileiro Neco Padaratz, 28. O esporte sempre teve sua imagem associada às drogas, mas, apesar disso, só a partir de 2002 os exames antidoping começaram a ser realizados e, mesmo assim, apenas na França, por exigência das autoridades locais. A ASP (Association of Surfing Professional) nunca exigiu o exame e tudo indica que exista mesmo uma certa complacência com as chamadas ‘drogas sociais’. Deixando a hipocrisia de lado, se todas as substâncias vetadas pela WADA (World Anti-Doping Agency), órgão que define os padrões para o COI, fossem motivo de suspensão no Tour, faltariam atletas para a disputa. Para ilustrar, lembro quando o australiano Mark Occhiluppo foi flagrado pela polícia carioca nas pedras do Arpoador pouco antes de entrar na água para a disputa da bateria final da etapa brasileira de 1999, ano em que foi campeão mundial, e a organização da prova tratou de apagar a brasa. Os critérios adotados para o exame não são claramente definidos. Sabe-se que quatro atletas foram escolhidos, não houve sorteio, durante a etapa francesa do Mundial de 2004. O resultado já era conhecido pelo brasileiro desde o final do ano passado: uso de esteróide anabolizante. Os outros três não foram divulgados. A associação deu um tempo para Padaratz solicitar uma contraprova ? não realizada devido ao custo ? e preparar sua defesa. Ciente do vacilo e resignado, em sua defesa, apresentada na reunião da ASP que acontece todos os anos na etapa da África do Sul, Neco, na companhia de seu irmão e ex-representante dos atletas no circuito, Teco Padaratz, disse ter usado a substância visando reduzir as dores nas costas provocadas por uma hérnia de disco e que teria comprado o produto numa dessas lojas de suplementos vitamínicos, ignorando ser proibido. A decisão da associação foi pela suspensão de Neco por um ano, retroativa a janeiro de 2005, em todas as provas organizadas pela entidade (WCT e WQS), e a perda dos pontos conquistados na temporada. Ele só poderá voltar em 2006 e terá que competir desde as primeiras fases, já que perdeu a condição de pré-classificado nas provas da divisão de acesso (WQS). Neco atravessava uma excelente fase, bicampeão consecutivo do WQS, comemorava ainda mais o seu desempenho na etapa deste ano em Teahupoo, Taiti, quando, com um tubo espetacular arrancou uma nota 10 dos juízes e afastou o trauma que arrastava desde que ficou preso nos corais e por pouco não morreu afogado naquela onda na etapa de 2000. Talento indiscutível, patrocinado desde a infância e atualmente o mais bem pago entre os brasileiros no Tour, Neco foi, e talvez ainda possa voltar a ser, o surfista do país com o maior potencial para chegar ao sonhado título mundial. Para isso terá que mostrar fora da água a mesma competência que mostra dentro, agora mais do que nunca. E, se se pode tirar uma boa notícia dessa história, outro brasileiro, Bernardo Pigmeu, assume a vaga deixada por Neco no circuito.
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