por Mario Bortolotto

A loura era musa do rock underground gaúcho e agora seduz os palcos do teatro em São Paulo

Imaginem essa garota chegando de Paris invadindo os porões do rock underground gaúcho, rolando no chão do palco de calcinha e baby doll. Loura fetiche Fausto Fawcett total. Pelo menos é o que eu ouvi falar e não tive o real interesse de perguntar pra ela se é verdade. A velha história de “se a lenda é boa...”.

Foi assim mesmo que Cléo que se tornou “Cléo De Páris”. Ela apareceu e ninguém conseguia prestar atenção no show da banda Acretinice Me Atray, da qual ela era vocalista. A performance de Cleo hipnotizava e eclipsava o resto da banda. Compreensível. A primeira vez que vi Cléo foi justamente no encarte de um CD. Era uma coletânea de rock gaúcho (“Os Excluídos”). Ela aparecia no encarte vestida como uma espécie de Minnie Mouse e era o suficiente pra ninguém mais querer saber de música nenhuma. Quando a conheci falei que tinha a coletânea e ela me presenteou com um CD da banda. Ela não acreditou que eu soubesse dessa sua incursão fonográfica rockeira. Ela subestimou minha curiosidade lendária. Com certeza a banda gaúcha jamais teve outro chamariz tão adequado e desejado. Depois a conheci melhor e ficamos amigos. Cléo é realmente linda e sensual, mesmo quando age da maneira mais trivial e espontânea tipo quando se interrompe sorrindo na mesa do bar pra te cumprimentar com um beijo delicado e o sorriso mais bonito da Praça Roosevelt. É o tipo de mulher que faria a alegria de um legista. Alguém aí lembra dela no filme Encarnação do Demônio comendo um pedaço da própria carne? 

Ela é o tipo de mulher que sabe onde fica o portal do seu desejo mas casualmente trabalha isso com total discrição, o que a deixa ainda mais sexy. Tenho limitações no que diz respeito a elogiá-la despudoradamente impostas por total respeito à meu amigo que é namorado dela. Ou vocês acham que uma mulher como essa fica sem namorado por mais que uma semana?

Cléo veio pra São Paulo, trabalhou com Antunes Filho e Dionísio Neto e finalmente se encontrou no Teatro dos Satyros onde se tornou musa inquestionável do Grupo que deflagrou uma revolução na Praça Roosevelt. Lembro que Cléo fazia uma peça em que o público tinha que vestir roupa de médico. Não concordava com aquilo. Odeio teatro interativo. Então disse pra ela que não iria ver por conta desse exigência. Aí abriram uma prerrogativa pro José Serra que também se recusava a vestir a tal roupa. Aí a Cleo não deixou por menos: “Se o Serra pode assistir sem vestir a roupa, o Marião também pode”. E foi assim que assisti Cosmogonia vestido como o civil que gosto de ser. Que eu saiba, só o Serra e eu tivemos esse privilégio.

A verdade é que sempre vou me lembrar de Cléo tirando uma de namorada do Mickey. A primeira das revelações. Jamais o Ratinho da Disney imaginou que pudesse ter tanta sorte.

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