BRAZILIAN E BRASILEIRO
Campeonato Brasileiro de Snowboard? Após sete edições e a popularização do esporte ninguém mais estranha
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Campeonato Brasileiro de Snowboard? Em 1995, quando foi realizado pela primeira vez, muita gente se espantou com a idéia. Normal, num país cuja temperatura média anual gira em torno de 24º C. Hoje, após sete edições, o campeonato já não surpreende ninguém, tanto pela manutenção das provas quanto pelo crescimento e conseqüente popularização do esporte.
Por outro lado, a interrogação continua apropriada. Dúvidas que a própria comunicação da prova incentiva. No cartaz deste ano, com destaque, a premiação de US$ 20 mil, valor do qual, à exceção da carioca Isabel Clark, os brasileiros passaram longe.
Isabel é a recordista de títulos na competição nacional. Venceu desde a primeira edição no slalom gigante e também no snowpark e no big air nos anos em que foram realizados. No último Sábado, em Valle Nevado, Chile, incluiu o título brasileiro no half-pipe em seu currículo. Não foi difícil para ela, à essa altura com o título do slalom assegurado, já que na pista em ‘U’ apenas três competidoras FIS participaram da prova e ela foi a única atleta nacional.
Atleta FIS? Desde a terceira edição o Brasileiro conta pontos para o ranking mundial da Federação Internacional de Snowboard. No ano passado, com a criação do Nokia Snowboard FIS Continental Cup, o circuito sul-americano, o Brasileiro passou a integrá-lo.
Acontece que são poucos os brasileiros inscritos e classificados na FIS, e se conta na mão os realmente competitivos, quando europeus, norte-americanos, além de chilenos e argentinos, disputam a mesma prova. Atraídos pela melhor neve em que se pode deslizar nessa época do ano, eles, que já eram freqüentadores habituais das montanhas andinas, têm agora a grana dos prêmios e os pontos no ranking para tornar as estações chilenas e argentinas irresistíveis.
O resultado é um grande contingente de estrangeiros disputando o ‘Brazilian’, e, em algumas modalidades, somos meros figurantes. No boardercross, por exemplo, dos 32 competidores, apenas sete eram brasileiros: dois passaram da primeira fase e nenhum ficou entre os oito semifinalistas. A prova foi vencida por um suíço, seguido de um francês, um chileno e um espanhol.
Para alguns, como Isabel, Ricardo Moruzzi, André Cywinski, que têm de fato condições de pontuar – e quem sabe defender o Brasil nos Jogos de Inverno de Salt Lake City, EUA, em 2002 -, o Nokia Cup é decisivo para a auto-avaliação. Moruzzi, numa das tomadas de tempo do slalom, mostrou que tem nível mundial ao superar o campeão do mundo, Guillaume Natermod. Sem dúvida uma ótima referência e um grande estímulo, em que pese a decepção de ver os cheques mais polpudos da premiação do Brazilian seguirem para as mãos dos estrangeiros.
Para os 55 brasileiros que estiveram no Chile para competir – os não-inscritos na FIS -, a organização do Brasileiro original promoveu uma outra competição, que julgo apropriado chamar de Brasileiro Amador, sem prêmios e só para quem tem o passaporte verde. Ficando clara e definida essa decisão, resta à organização conseguir horários mais apropriados para as provas, no caso do slalom pistas menos judiadas e resgate para competidores. Coisa para o ano que vem.
NOTAS
LONGBOARD
Ondas clássicas em Saquarema, RJ, contribuíram para o sucesso da segunda etapa do Mundial. Jason Ribbinik venceu a prova. Augusto Saldanha (3º) foi o melhor brasileiro. Picuruta repetiu o quinto lugar da primeira etapa, em Portugal, e está em quinto no ranking liderado por Joel Tudor. A próxima e decisiva etapa será em Jeffrey’s Bay, África do Sul.
2 X OCCY
As 33 anos Mark Occhilupo foi o mais velho campeão mundial de surfe (WCT). Hoje, aos 35, segundo no ranking, ele vai tentar a inédita conquista de dois títulos no mesmo ano. A partir do próximo dia 30 ele estará em Bundoran, Irlanda, para o Mundial Masters.
WQS
Duas provas esta semana abrem a temporada decisiva do Circuito de acesso do surfe mundial. O US Open em Huntington, com 304 inscritos disputando 2.500 pontos, e o Rip Curl Newquay, na Inglaterra. Enquanto nos EUA 23 brasileiros disputam a prova, na Inglaterra são apenas
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