por Luiz Guedes
Trip #212

Citroën SM: Na década de 50 com as curvas que dominariam as ruas 40 anos depois

Em forma de gota d'água, o Citroën SM esboçou na década de 1950 as curvas que dominariam as ruas brasileiras 40 anos depois

Corpo humano e tecnologia nem sempre caminham em harmonia. Enquanto a ditadura da beleza só “afinou” desde as rechonchudas formas femininas renascentistas, os automóveis percorreram um caminho inverso – eles “arredondaram”. Até o início dos anos 1990, a predominância de linhas secas e retas ainda ditava a moda no design dos “quadradões” automóveis nacionais. Paradigma rompido apenas em 1994, com o surgimento do arredondado Chevrolet Corsa. Na ocasião, a montadora fez alarde no que chamou de “biodesign”, destacando a preocupação aerodinâmica da carroceria baseada em elementos da natureza. Releases da época narravam como os estilistas da marca haviam buscado inspiração no formato de uma simples gota de água. Tudo para reduzir ao máximo o atrito com o ar e melhorar o coeficiente aerodinâmico – o que significa maior velocidade e melhor desempenho em curvas.

Inicialmente, estranhas aos olhos dos consumidores, as formas arredondadas viraram tendência, dando vida a modelos tão excêntricos quanto eficientes do ponto de vista aerodinâmico. Caso, por exemplo, da primeira geração do Ford Ka, lançada em 1996. Hoje o padrão sinuoso é comum a qualquer projeto desde os primeiros esboços. E esquisito mesmo ficou olhar para os carros de linhas retas do passado...

Olhos esbugalhados
O que pouca gente sabe é que o modismo das carrocerias de linhas curvas tem origem quase tão antiga quanto a própria trajetória do carro no Brasil. Afinal, já em 1955 a Citroën chocou o mundo com o lançamento do clássico modelo DS – apelidado de “sapo”, por conta dos faróis que se assemelhavam a dois olhos esbugalhados.

Vista de cima, a carroceria do DS parecia com uma gota de água, formato tão eficaz que levou a marca francesa a adotá-lo também numa versão esportiva. “Assim nasceu o Citroën SM, que mesclava o layout em forma de gota com um potente motor V6 fornecido pela italiana Maserati”, detalha o comerciante paulista Antonio Carlos Giraldes, 52 anos, proprietário de um raro exemplar 1973 do SM [foto]. “Fora o meu, existem apenas outros dois iguais no Brasil”, afirma.

O resultado da “carroceria gota” garantiu ao Citroën SM um coeficiente aerodinâmico (Cx) de meros 0,339, recorde na época para um carro de série. E as inspirações na natureza não paravam por aí. Outro destaque do modelo francês eram os faróis que acompanhavam o movimento do volante. Tão simples e tão genial quanto a visão humana.

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