por Carlos Sarli
Trip #186

Evolução nas pranchas nas últimas décadas pouco contribui para o atual nível do esporte

A evolução no desenho das pranchas de surfe nas últimas décadas pouco contribui para o atual nível do esporte

 

Na Páscoa de 1981, uma inovação de equipamento mudou o rumo do surfe para sempre. Durante o The Rip Curl 3GL Easter Classic, segunda etapa do mundial, disputada em Bells Beach, Austrália, o australiano Simon Anderson apresentou a Thruster, um inédito modelo de prancha com três quilhas do mesmo tamanho.

Na época, Mark Richards deslizava sobre uma twin fin e reinava absoluto. Com a prancha de duas quilhas e bem menor que as predominantes monoquilhas de então, Richards já havia conquistado dois títulos mundiais e caminhava para seu terceiro, abrindo a temporada com a vitória no Stubbies Classic, em Burleigh Heads, dias antes.

Os títulos, as manobras em espaços curtos e o estilo, que lhe valeu o apelido de "gaivota ferida", faziam de Richards um garoto-propaganda imbatível, e as pranchas biquilhas, que foram ficando cada vez menores, conquistavam o mundo.

Mas Anderson, com sua inovadora 6'6" tri fin, faria história naquela Páscoa. As ondas, que chegavam aos 15 pés, e um forte vento terral dificultavam a vida dos competidores, na maioria com pranchas menores que as exigidas para as condições. Daí o desempenho de Anderson, que há quatro anos não vencia no Tour, ser ainda mais surpreendente.

Sua prancha também era pequena para o tamanho das ondas, mas ele as descia com segurança, como se estivesse de monoquilha, e manobrava como só numa biquilha. Chegou à final e bateu Cheyne Horan, que nesse ano venceria o Waimea 5000, a etapa brasileira do circuito. Anderson ainda ganharia mais duas etapas em 81, inclusive o Pipe Masters, igualando o número de vitórias ao de Richards, que conquistou o terceiro de seus quatro títulos mundiais naquele ano.

Desde então as triquilhas se tornaram unanimidade. Pouca coisa relevante aconteceu no desenho das pranchas desde então. Na verdade o que houve mais recentemente foi uma releitura de antigos modelos. Na falta de uma invenção que marque uma nova fase no esporte, como a Thruster permitiu, a indústria se reinventa, e o surfe evolui mesmo é a partir da criatividade e da condição técnica dos atletas.

MUNDIAL DE SURFE - WT
Começou dia 30 o Rip Curl Pro, em Bells, Austrália. Com ondas pequenas, o evento vem sendo adiado. Gabriel Medina, 16, convidado, reforça o time brasileiro. O feminino já está na terceira fase. Silvana Lima defende o título.

BIG SURFE
Terminou com o inverno no hemisfério norte o prazo de inscrições da 10ª edição do Billabong XXL. Os vencedores serão conhecidos dia 23. O surfe na remada ganhou proporção.

XGAMES BRASIL
A segunda edição foi confirmada, será no sambódromo, entre os dias 23 e 26 de setembro.

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