Por Redação
em 21 de setembro de 2005
por Flavio Tambellini*
Desde o tempo de guri em São Paulo, quando assistia a filmes em clubes de bairro cujas telas eram um lençol pendurado, até me mudar para o Rio e descobrir os cineclubes, percebi que minha vida estava marcada pelo cinema. Em 1982, com 30 anos, meu primeiro trabalho profissional no cinema foi como assistente de direção de Bruno Barreto em Gabriela. Os protagonistas eram Sônia Braga e Marcello Mastroianni – o mesmo Mastroianni que habitava minhas fantasias cinematográficas na infância. Num dia de filmagem nervosa, interrompi o descanso dele para pedir que se maquiasse e se vestisse para o próximo plano, que aconteceria em 30 minutos. Não deu outra: a meia hora virou três horas, e o astro de La Dolce Vita ficou plantado, com uma maquiagem pesada e roupa de cena, esperando. Ao me explicar pelo atraso, estava nervoso e preparado para uma bronca italiana. Qual não foi minha surpresa ao ouvi-lo dizer, na maior gentileza, que o cinema era a arte de saber esperar. Nunca me esqueci disso, e descobri que em cinema estamos sempre esperando a idéia vir, o roteiro ficar pronto, o dinheiro no banco, o momento de filmar, o de lançar etc. E quando tudo isso acaba, há a espera pelo próximo projeto…
*Flavio Tambellini, 49, diretor de Bufo & Spallanzani, de Rubem Fonseca, está produzindo Carandiru, próximo filme de Hector Babenco baseado no best seller de Drauzio Varella. Tambellini espera filmar, em 2002, seu segundo longa, O Passageiro.
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