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O livro de Sonia Luyten conta a história dos mangás e sua função na sociedade oriental. Mais que isso: mostra a economia que gira em torno das HQs japonesas e as dimensões desse consumo, realmente absurdo – tiragens de milhões de cópias. O AstroBoy, que todo mundo conhece pelo desenho animado, na verdade começou em mangá; Pokémon é outro que faz um tremendo sucesso mas teve suas bases no cartum nipônico. Os ultra-reprimidos japoneses descarregam suas neuroses lendo essas HQs, único lugar onde heróis que lutam contra injustiças podem usar de extrema violência (no Japão a polícia não usa armas). A partir do mangá nascem as febres que tomam conta do Ocidente: o merchandising é tanto que ultrapassa as fronteiras do Japão, tornando um traço peculiar da cultura japonesa moderna algo conhecido no mundo inteiro. Outro barato de Mangá é descrever o quanto os heróis japoneses mudaram após a II Guerra, fazendo sucesso com olhos puxados e na vertical. Nunca gostei muito de desenhos japoneses, mas me surpreendi com este livro.
(Jorge Colombo, diretor de arte da TRIP)
Mangá, de Sonia Bibe Luyten
Editora Hedra, 250 páginas, R$ 26,00
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